Cerca de 5 mil trabalhadores lotaram as ruas de São Bernardo por pautas de direitos da classe trabalhadora

Ato contou com concentração na Sede do Sindicato e aprovação da entrega de documento com a pauta ao Congresso Nacional

Foto: Adonis Guerra

Cerca de 5 mil manifestantes tomaram as ruas de São Bernardo na manhã da última sexta-feira, 14, em uma grande caminhada em defesa dos direitos da classe trabalhadora. A mobilização, que teve início na Sede dos Metalúrgicos do ABC e seguiu até a Praça da Matriz, destacou pautas essenciais, como a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil, a isenção do IR sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, o fim da escala 6×1 e a queda da taxa de juros.

Foto: Adonis Guerra

O presidente do Sindicato, Moisés Selerges, reforçou a importância da mobilização como forma de pressão e conscientização. “A pressão é necessária por duas razões. Uma, para mandar um recado, e outra, para o trabalhador externar o que está dentro dele, que é o desejo de ver essas pautas atendidas. Porque, a partir do momento em que o trabalhador deixa de pagar o Imposto de Renda ou paga menos, significa dinheiro no bolso”.

Além de chamar a atenção da sociedade e pressionar o Congresso Nacional, a manifestação também teve um objetivo estratégico: as entidades sindicais da região entregarão um documento formalizando as reivindicações aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; do Senado Federal, Davi Alcolumbre; e do Banco Central, Gabriel Galípolo. A proposta foi aprovada por unanimidade, demonstrando a força e unidade da classe trabalhadora. “Nós sairemos da Marechal e iremos rumo ao Congresso Nacional, em Brasília, exigir a pauta dos trabalhadores. Essa é a nossa luta”, avisou Moisés.

Foto: Adonis Guerra

Além de metalúrgicos de diversas fábricas da categoria, o ato contou com a participação de sindicatos da região, movimentos sociais e lideranças políticas.

Organização na luta

O presidente da CUT São Paulo, Raimundo Suzart, declarou apoio à luta e destacou que, mais uma vez, a Central e seus sindicatos organizados estão nas ruas para defender os trabalhadores e as trabalhadoras. “Queremos convidar todos e todas para comparecerem nesta terça-feira [18] em frente ao Banco Central, na Avenida Paulista, e protestarem contra o aumento da taxa de juros. Queremos a redução da Selic para que o dinheiro permaneça no bolso dos trabalhadores e para que o país tenha mais investimentos na indústria e no comércio. Não estamos contra o governo, mas sim contra a política de juros altos, que coloca o Brasil entre os países com a maior taxa real de juros do mundo”. O ato de amanhã está marcado para às 10h.

Foto: Adonis Guerra

A diretora executiva do Sindicato e coordenadora das Comissões, Andréa de Sousa, a Nega, lembrou que os Metalúrgicos do ABC têm um compromisso firme com essa luta. “Há muito tempo falamos sobre todas essas pautas e agora chegou o momento de intensificar essa reivindicação. Sentimos na pele os impactos dessa realidade. Por isso, companheiras e companheiros, estamos na luta e não sairemos das ruas enquanto tivermos que enfrentar essa escala de seis por um, enquanto a taxa de juros continuar alta, dificultando nossas vidas. Essa situação impede a geração de empregos e torna inacessível a compra de um carro, de uma moto ou de eletrodomésticos para nossas casas. É por isso que estamos aqui, é isso que defendemos”.

Foto: Adonis Guerra

Para a trabalhadora na Volks, Beatriz Batan da Silva, a juventude está presente e engajada nessa luta, lado a lado com todos que buscam condições mais justas de trabalho e vida digna. “Estamos nas ruas, ocupando nosso espaço e fazendo nossa voz ecoar porque acreditamos que a isenção do Imposto de Renda e o fim da escala seis por um não são apenas demandas imediatas, mas pilares para um futuro mais sólido e equilibrado. Queremos um mercado de trabalho que valorize o trabalhador, garantindo qualidade de vida e tempo para o lazer, o estudo e a família. Nossa geração não aceita retrocessos e está pronta para construir um amanhã mais justo, onde direitos sejam ampliados e respeitados”.