CESP não é privatizada. Trabalhadores comemoram

As entidades da Frente
Contra a Privatização realizaram
ontem ato no centro de
São Paulo para comemorar a
derrota do governador José
Serra (PSDB), que queria privatizar
a Companhia Energética
São Paulo (CESP) mas
não apareceu nenhum grupo
interessado.

O fracasso da venda
foi considerado resultado
da resistência dos movimentos
sociais e sindicais
que entraram com ações na
Justiça para denunciar as
ilegalidades do processo de
privatização.

Esta foi a terceira vez
que o governo tucano tenta
vender a CESP.

Nas outras duas, durante
o governo Covas e Alckmin,
ninguém se interessou
depois que a Federação dos
Engenheiros conseguiu liminar
que obriga os novos
controladores a aumentar a
capacidade das usinas em
16,5% em oito anos.

No ato de ontem,
o presidente da CUT
paulista, Edílson de
Paula, disse que, agora,
o governo estadual
terá que discutir com a
população a entrega do
patrimônio estatal.

“Foi uma vitória
dos trabalhadores. Espero
que a situação mostre
ao governador que só se
governa um Estado com a
participação da população”,
comentou.

Edílson lembrou que
nos dias que antecederam o
leilão da CESP Serra apelou
até para mentiras.

Primeiro, ele afirmou
que havia recebido garantias
do presidente Lula de
que eram certas a renovação
das concessões das usinas de
Ilha Solteira e de Jupiá, que
acabam em 2015.

Dias depois foi desmentido
pelo ministro das
Minas e Energia.

Serra também afirmou
que o BNDES garantiria o
financiamento de metade do
preço mínimo do leilão.

Diante disso, as entidades
da Frente Contra a Privatização
decidiram entrar
na Justiça, pois o BNDES
só pode financiar vendas
para grupos que assumam
compromisso de construir
novas usinas e aumentar a
oferta de energia no País.

O secretário do Sinergia,
Gentil de Freitas, disse
que no governo Lula,
os tucanos não tiveram a
mesma facilidade para
conseguir dinheiro do
BNDES como teve
Alckmin durante a gestão
de FHC.

“O patrimônio
construído com o suor
do povo tem de ficar
nas mãos da população”,
comentou.

Tarifa e apagão – Durante o ato de ontem,
os manifestantes voltaram
a denunciar que a
privatização significa aumento
no preço das tarifas
e novas possibilidades de
apagão, como aconteceu
na primeira semana deste
mês.

Nessa ocasião, cerca
de 3 milhões de moradores
de São Paulo, Taboão da
Serra e Embu ficaram sem
energia elétrica durante
uma hora, em área sobre
concessão da CTEEP, vendida
pelo governo tucano.