Clipping 9 de dezembro de 2021

Manchetes

BC eleva juro em 1,5 ponto para 9,25%, maior taxa em 4 anos (Folha)

Nubank chega à Bolsa de NY e à B3 como banco mais valioso da América Latina (Estadão)

Rio vive epidemia de gripe em meio à escassez de vacina (O Globo)

Copom sobe juro para 9,25% e indica nova alta de 1,5 ponto (Valor)

Automotive Business

Falta de peça estica parada das montadoras no fim do ano. Veja lista completa

Maior paralisação ocorrerá nas linhas da fábrica da BMW em Araquari (SC)

As férias coletivas de final de ano nas montadoras passaram a ser um período chave em 2021. Por causa da chegada ou da falta de semicondutores e outros componentes, as empresas fizeram ajustes no tradicional tempo de parada realizado entre dezembro e janeiro. No caso das fabricantes de automóveis, há grande oscilação no número de dias. No caso das fabricantes de caminhões, os períodos são mais definidos.

GENERAL MOTORS – Começando pelo segmento de automóveis a falta de componentes levou a GM a conceder quase 30 dias para os trabalhadores da linha de São Caetano do Sul (SP), que terá as atividades interrompidas de 20 de dezembro a 17 de janeiro. A unidade, onde são produzidos os modelos Chevrolet Spin, Joy e Tracker, ficou bastante tempo parada este ano, uma vez que além da falta de peças ela passou por ampla reformulação para produzir a nova picape Montana.

Ainda dentro do universo GM, a fábrica de Gravataí (RS), onde é produzido o compacto Onix, a parada de final de ano será menor na comparação com a fábrica paulista, de 20 de dezembro a 3 de janeiro. De acordo com o sindicato dos metalúrgicos local, a fábrica trabalha a pleno vapor, com estoque de chips e pátios vazios, algo que não aconteceu na transição do primeiro para o segundo semestre, quando houve ali total paralisação pela falta de componentes.

Em São José dos Campos (SP), onde é produzida a picape S10 e o SUV Trailblazer, a parada será de 22 dias, começando no dia 13 de dezembro até 3 de janeiro, segundo a montadora. Em janeiro, aliás, a fabricante retomará o segundo turno da produção da picape, com o retorno de parte do quadro de funcionários do lay-off estabelecido em novembro na unidade.

Em Joinville, onde a GM mantém a produção de motores e transmissões, não haverá férias coletivas, informou a companhia.

RENAULT – No caso da marca francesa, que mantém fábrica em São José dos Pinhais (PR), a produção de veículos de passeio segue em dezembro normalmente, com a parada programada para ocorrer de 3 a 13 de janeiro. A montadora, de acordo com o sindicato dos metalúrgicos local, seguirá produzindo até o apagar das luzes de 2021 para aproveitar a chegada de componentes ao estoque e, assim, atender a demanda do mercado, que é crescente.

A fábrica de motores, que também fica dentro do complexo, tem parada programada no mesmo período que as linhas de automóveis. Já a linha de produção dos modelos utilitários para este ano, em 27 de dezembro, e retorna às atividades em 13 de janeiro.

VOLKSWAGEN- Ainda enfrentando a falta crônica de componentes eletrônicos, a Volkswagen decidiu esticar as férias coletivas de fim de ano em todas as suas quatro fábricas brasileiras. A paralisação total das unidades varia de 18 a 26 dias, conforme informamos ontem.

TOYOTA – As três fábricas da montadora japonesa, Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz, em São Paulo, vão parar de 27 de dezembro a 3 de janeiro.

STELLANTIS – Pelos lados da Stellantis, que mantém fábricas em Betim (MG), onde são produzidos os modelos Fiat, em Goiana (PE), onde são feitos os modelos Jeep e a picape Fiat Toro, e em Porto Real (RJ), onde são produzidos os modelos Peugeot/Citroën, o assunto férias coletiva ainda é algo sobre a mesa de discussão. Procurada pela reportagem, a montadora informou que o departamento de recursos humanos ainda analisa o tema.

YUNDAI – Há também indefinição na fábrica da Hyundai em Indaiatuba (SP), onde são produzidos os modelos Creta e HB20.

HONDA – Na fábrica da Honda em Itirapina (SP), onde são fabricados os modelos Fit, City e o HR-V, a situação ainda não está definida. Segundo o sindicato dos metalúrgicos local, a montadora ainda não protocolou pedido de férias coletivas para a unidade produtiva do interior paulista.

NISSAN – Instalada em Resende (RJ) para produção dos modelos Versa e Kicks, a fábrica da Nissan vai parar em 27 de dezembro e retorna em 13 de janeiro.

LAND ROVER – Ainda no Rio de Janeiro, em Itatiaia, a planta da Land Rover parou em 1º de janeiro e vai retornar às atividades no dia 14 deste mês.

BMW- Sua fábrica em em Araquari (SC) vai parar de 22 de dezembro a 23 de janeiro. Por meio de nota a BMW informou que a parada acontece “para realocações internas de fornecedores locais e manutenção preventiva de equipamentos”, e que não há falta de componentes. A fabricante aumentou em 10% a produção para o ano na unidade, o que deverá culminar em 10 mil unidades até o final de dezembro.

CAOA CHERY e MITSUBISHI- Procuradas pela reportagem, tanto Caoa Chery, que mantém fábrica em Jacareí (SP) e Anápolis (GO), quanto a HPE, que produz veículos Mitsubishi em Catalão (GO), não responderam até o fechamento desta matéria.

VOLVO- No segmento de caminhões, que foi menos afetado pela crise de componentes do que o de automóveis, as paradas seguem dentro da normalidade para o período, exceto a Volvo. A montadora seguirá produzindo em dezembro na unidade de Curitiba (PR). A montadora prorrogou as suas férias coletivas, que começam em 30 de dezembro e vão até 17 de janeiro.

SCANIA – A fabricante manteve na programação a sua longa pausa de final de ano para férias e manutenção das linhas. De acordo com a empresa, a produção em São Bernardo do Campo (SP) ficará interrompida de 23 de dezembro a 17 de janeiro.

MERCEDES-BENZ- No caso da montadora alemã, que mantém produção no mesmo município, a parada para férias coletivas ocorrerá de 23 de dezembro a 6 de janeiro.

VWCO – A Volkswagen Caminhões e Ônibus concederá férias de 22 de dezembro a 3 de janeiro.

DAF, IVECO e AGRALE – A DAF, com fábrica em Ponta Grossa (PR), Iveco, com produção em Sete Lagoas (MG) e Agrale, em Caxias do Sul (RS), não responderam até o fechamento da reportagem.

Estadão Conteúdo

GM vai retomar segundo turno de produção em São José dos Campos

A General Motors (GM) anunciou nesta quarta-feira que vai retomar no mês que vem o segundo turno de produção na fábrica de São José dos Campos (SP), onde são montados a picape S10 e o utilitário esportivo Trailblazer.

Conforme informação do sindicato local, 500 dos 691 funcionários que estão desde 8 de novembro afastados da produção em regime de layoff (suspensão de contratos de trabalho) devem retornar no dia 10 de janeiro.

O turno da tarde na unidade da GM no interior paulista foi suspenso em razão da falta de componentes eletrônicos, motivo que também leva à interrupção completa ou parcial de produção em outras montadoras tanto no Brasil quanto no exterior.

Automotive Business

Volkswagen anuncia parcerias com três empresas por baterias

Montadora segue investindo para assegurar produção local de peças para seus elétricos

A Volkswagen anunciou hoje parcerias distintas com três empresas para avançar no segmento de produção de baterias. São elas: Umicore, 24M e Vulcan. A montadora, que tem investido massivamente na eletrificação de seu portfólio, pretende vender apenas carros elétricos a partir de 2035. Para isso, precisa investir na produção local de baterias, já que a maioria dessas peças hoje é fabricada na Ásia.

A belga Umicore é uma fornecedora de materiais para baterias. A parceria com ela servirá para abastecer as fábricas de baterias europeias da Volks com materiais para cátodos. Com esse fornecimento assegurado, a montadora espera começar uma produção de 20 GWh em Salzgitter, na Alemanha, em 2025, e chegar a 160 GWh até o fim da década, o que seria capacidade suficiente para produzir 2,2 milhões de VEs.

Segundo a Volks, a parceria com a Umicore também incluirá a extração sustentável de materiais para as baterias, um modelo de trabalho para desenvolvimento de novas tecnologias e a inclusão, no futuro, de medidas para reciclagem das peças.

A startup americana 24M, oriunda do MIT, receberá um investimento da Volks cujo valor não foi revelado. Ela desenvolveu uma tecnologia de íon-lítio semissólido que substitui o revestimento seco e, como consequência, permite um barateamento no custo da produção das baterias. Isso inclui uma área menor de produção, menor pegada de carbono e maior eficiência na reciclagem.

Por fim, a Vulcan é uma fornecedora de lítio alemã. O contrato com a Volks prevê o fornecimento de hidróxido de lítio para a montadora por um período de cinco anos a partir de 2026. A grande novidade apresentada pela Vulcan é que ela está desenvolvendo uma tecnologia para zerar as emissões da extração de lítio no Vale do Alto Médio Reno, que é de onde sairá o insumo fornecido para a Volks. Essa parceria faz parte de uma estratégia maior para que os carros da montadora sejam completamente neutros no futuro.

“A célula unificada da Volkswagen precisa estar na vanguarda de performance, custo e sustentabilidade desde o princípio”, disse Thomas Schmall, membro do Conselho de Gerenciamento para Tecnologia do grupo e CEO da Volkswagen Group Components, em comunicado. “Com nossos novos parceiros, estamos dando mais um passo para alcançar esse objetivo”, afirmou.

Valor

Congresso promulga mudança no teto e libera R$ 62 bilhões em2022

Senadores se irritaram e falaram que Pacheco descumpriu acordo

O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), promulgou ontem parte da proposta de emenda constitucional (PEC) dos Precatórios em meio a um bate-boca com senadores e acusações de que quebrou o acordo para que o espaço fiscal do projeto ficasse vinculado a gastos com seguridade social e transferência de renda.

Pelo texto promulgado, fica alterado o teto de gastos, que limita o crescimento das despesas correntes do governo ao aumento da inflação. O período de aferição desse teto mudou de julho a junho para janeiro a dezembro, o que permitirá ao governo gastar mais este ano e no próximo, quando ocorrerá eleição, por causa da escalada da inflação.

 A versão já incluída na Constituição abrirá um espaço fiscal adicional de R$ 62 bilhões em 2022. Além disso, os deputados decidirão sobre pontos alterados pelos senadores, como a autorização para que o governo federal não pague a totalidade de suas dívidas judiciais (precatórios), o que permitirá mais R$ 44 bilhões em outros gastos em 2022.

Essa votação ocorrerá terça-feira e depois terá que ser referendada pelos senadores – parte deles, irritada com a “quebra de acordo”. A promulgação das partes comuns da PEC causou polêmica.

 O senador José Aníbal (PSDB-SP) defendeu que a promulgação fosse suspensa porque um parágrafo que restringia o uso do espaço fiscal em 2022 a despesas com programa de transferência de renda, saúde e seguridade social foi dividido para que apenas parte fosse promulgado. Ele sugeriu que tudo fosse enviado à Câmara para votação, mas Pacheco rejeitou dizendo que era preciso promulgar os R$ 62 bilhões para pagar o auxílio de R$ 400.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) protestou que ajudou Pacheco a negociar a aprovação da PEC num momento em que o governo não tinha votos, conversando inclusive com partidos contrários, como Podemos, PT e Cidadania, mas que o compromisso de vinculação não foi cumprido por Pacheco porque não há garantia de aprovação pela Câmara.

“Lamento muito que vossa excelência não tenha honrado o compromisso com os líderes dessa Casa”, disse. “Qual é o problema de mandar o artigo 107 [do teto] para a Câmara votar junto com o artigo 4 [da vinculação]? Por que deixar o espaço fiscal de mais de R$ 50 bilhões solto? Solto não para matar a fome, solto para outros gastos”, criticou.

Pacheco, irritado, rebateu que não tinha feito esse acordo. “Não sei qual a intenção de vossa excelência com essa polêmica toda. Minha intenção é resolver o Bolsa Família. Não descumpri acordo absolutamente nenhum”, respondeu. “Essa crise constante de confiança em relação a Câmara dos Deputados, vá me desculpar. Não é possível que a gente fique com discussão política, de cunho sabe-se lá o que, de cunho eleitoral”, disse.

 A proposta do Senado proibia que o espaço fiscal aberto com a mudança do teto fosse gasto com as emendas de relator ou “orçamento secreto”, dinheiro utilizado pelo governo, junto com Pacheco e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para enviar recursos as bases eleitorais dos parlamentares em troca de fidelidade nas votações. Os deputados, justamente por causa disso, resistem a apoiar a restrição ao uso do dinheiro da PEC.

Os líderes dos partidos governistas farão uma reunião hoje à tarde para decidir que pontos aprovarão. A promulgação de parte do artigo 4 atendeu aos interesses do Ministério da Economia por limitar a R$ 15 bilhões o espaço para gastos este ano, também influenciado pela mudança no teto. Se a promulgação parcial não tivesse ocorrido, o governo estaria livre para gastar mais R$ 38 bilhões ainda em 2021, elevando a pressão da ala política por mais despesas – e um déficit fiscal maior.

 Além de mudar o teto de gastos, o texto promulgado ontem acaba com a possibilidade de revisão dessa regra fiscal m 2026 por lei complementar, permite o encontro de contas e outros mecanismos (como compra de ações de estatais) com os precatórios, autoriza os municípios a parcelarem suas dívidas em 240 meses e altera o índice de correção das dívidas judiciais de entes públicos para a taxa Selic.

A Câmara terá que decidir de novo sobre o calote nos precatórios e se vincula os gastos adicionais. Apesar de o regimento interno exigir que PECs sejam votadas por duas comissões, será usada “manobra” para anexá-la a outra PEC e levá-la direto para o plenário.

A oposição pretende contestar o rito, mas há dois casos, no governo Lula, de votação dessa forma. Lira disse que a Câmara tem compromisso com duas mudanças feitas pelo Senado, a criação de um comitê para acompanhamentos dos precatórios e tornar permanente o auxílio temporário de R$ 400, mas que não há compromisso com as demais. “Controle de mérito nem a Câmara fará ao Senado, nem o Senado fará à Câmara”, disse.

Valor

Copom sobe juro para 9,25% e indica nova alta de 1,5 ponto

No comunicado, o colegiado informou que antevê outro ajuste da mesma magnitude na próxima reunião em fevereiro

A despeito dos sinais de desaceleração da economia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu continuar com a sua estratégia de aperto monetário para consolidar o processo de baixa da inflação e voltar a coordenar as expectativas do mercado.

Dentro de um roteiro já esperado, o colegiado subiu ontem em 1,5 ponto percentual, de 7,75% para 9,25% ao ano, os juros básicos da economia e encomendou outra alta da mesma magnitude para fevereiro. Fato que vai contra os apelos de parte dos analistas para que o BC adote um ritmo menos forte.

O argumento defendido é que, diante dos dados mais fracos de atividade, o colegiado deixasse pelo menos uma porta aberta para um movimento menos forte na próxima reunião, em fevereiro, que preservasse o crescimento econômico.

O Copom, porém, manteve uma indicação seca de nova alta de juros, para 10,75% ao ano, com a ressalva rotineira de que poderá mudar de ideia dependendo da evolução do cenário econômico. Mas não deu sinais concretos, pelo menos no comunicado, de que pretende desacelerar o aperto. Disse que vai perseverar na sua estratégia até que o juro avance “significativamente em território contracionista”.

Mesmo com a alta acumulada de 7,75 pontos percentuais na taxa Selic desde março, o aumento da inflação ainda preocupa. Tomando como base um cenário de elevação de juros para um pico de 11,75% em 2022, com queda a 11,25% até o fim do ano, o Copom projeta uma inflação bem acima da meta em 2022 e ao redor do objetivo de 2023 – 3,5% e 3,25%, respectivamente. Mas os índices de preços poderão superar o previsto, devido aos riscos fiscais após o drible ao teto de gastos.

Embora a decisão de elevar a Selic em 1,5 ponto tenha sido antecipada pelo mercado, a comunicação do Copom surpreendeu ao ser mais dura do que o antecipado, avalia o economista-chefe da JGP, Fernando Rocha. Para ele, as mudanças no comunicado indicam que os juros vão ficar mais altos e por mais tempo.

Folha de SP (Mônica Bérgamo)

Alckmin estuda suspender filiação ao PSB para facilitar aliança com Lula

Ex-governador está sendo aconselhado a evitar que negociação para ser vice fique atrelada a disputas regionais da legenda com o PT

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin pode se desfiliar do PSDB e ficar sem partido —adiando a decisão de entrar no PSB.

CÓDIGO POSTAL

Alckmin está sendo aconselhado a seguir esse caminho para que sua candidatura a vice na chapa de Lula não fique atrelada a disputas regionais da legenda com o PT.

ESTRADA LIVRE

Mesmo com Alckmin fora do PSDB, Lula sinalizaria de forma ainda mais clara que deseja ter o ex-governador como vice em sua chapa, independentemente da legenda à qual ele vai se filiar. A preferência seguiria sendo por um acordo amplo com o PSB _mas o fracasso dessa alternativa não seria impedimento para a união dos dois.

LIVRE 2

Definido que Alckmin será o candidato a vice-presidente, no PSB ou fora dele, as negociações do PT com os socialistas não envolveriam mais o nome do ex-governador em tentativas de acertos regionais.

LIVRE 3

Uma eventual filiação de Geraldo Alckmin à legenda não poderia mais, portanto, ser usada como trunfo por integrantes do PSB, ficando desvinculada das ambições de suas lideranças regionais. A aliança entre os dois seria facilitada.

MOEDA

Parte dos socialistas —entre eles o próprio presidente da legenda, Carlos Siqueira— tenta condicionar a filiação de Alckmin ao compromisso do PT de, em troca, apoiar candidatos do PSB aos governos estaduais de São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Acre, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

MOEDA 2

O estado de São Paulo é o mais difícil de equacionar: o PT não pretende abrir mão da candidatura de Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes para apoiar o ex-vice-governador Mário França, do PSB, que também pretende se candidatar ao governo.

MOEDA 3

Em outros estados, a aliança é mais provável —e vital. Em Pernambuco, por exemplo, o PSB necessitaria do apoio do PT para garantir a permanência no poder. No Rio de Janeiro, o candidato ao governo Marcelo Freixo conta com um acordo com os petistas e Lula em seu palanque para ficar mais perto da vitória.

O Globo (Lauro Jardim)

Por causa de Lula, Bolsonaro muda a cúpula do Mercosul de presencial para virtual

A cúpula do Mercosul, que seria realizada presencialmente em Brasília na sexta-feira que vem, virou uma reunião virtual por ordem de Jair Bolsonaro. Que ninguém imagine que Bolsonaro resolveu trocar o presencial pelo virtual por questões sanitárias. Ele não chegaria a tanto.

O motivo para a mudança foi… Lula.

Ou melhor, o encontro que Lula terá com Alberto Fernández e Cristina Kirchner nos próximos dias. Lula embarca hoje à noite para Buenos Aires, onde fica até segunda-feira. Terá reuniões com sindicalistas e, possivelmente, também com políticos uruguaios.

Bolsonaro ficou muito irritado quando soube da nova investida de Lula no exterior. E resolveu diminuir a visibilidade da cúpula e, consequentemente, de Fernández.

OBS: O jornal argentino Clarín informa que “Bolsonaro virtualizou a reunião de cúpula do Mercosul” e, no Brasil, dizem que é por causa da revolta com a chegada de Lula a Argentina. “O rival político de Bolsonaro participará nesta sexta-feira de um evento político em Buenos Aires com Alberto Fernández e Cristina Kirchner”, destaca.

Folha de SP

Lula vê Brasil encalacrado e cobra aliados na trincheira de sua campanha em 2022

Ex-presidente diz que não poderá voltar ao Planalto para fazer menos do que fez em suas primeiras gestões (2003-2010)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quarta-feira (8) que a situação do Brasil está “encalacrada”, ao citar dados sociais e da economia. Ele falou em “podridão” no país, atacou as elites e se colocou como pré-candidato com “disposição”.

O petista afirmou que não poderá voltar ao Planalto para fazer menos do que fez em suas primeiras gestões (2003-2006 e 2007-2010), sem citar os dois mandatos da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2014 e 2015-2016).

Lula participou de um congresso organizado pela Força Sindical, em São Paulo. O evento contou com a presença das principais centrais sindicais do país. Em seu discurso, pediu aos sindicalistas que estejam na trincheira da campanha eleitoral de 2022 e em um eventual novo mandato seu na Presidência da República a partir de 2023.

Na mesma fala, sempre de improviso, o petista cobrou seus aliados a disputarem as eleições no ano que vem. Segundo ele, se os trabalhadores não entrarem em campanha, os empresários é que serão eleitos para o Congresso Nacional.

“Quem tiver condições de se eleger deputado não pode se negar a ser candidato. Por que se você que representa os trabalhadores não quer ser candidato, quem é eleito é o empresário”, afirmou o petista. Lula pediu ainda união entre as centrais sindicais na oposição ao governo Bolsonaro e nas eleições de 2022.

O Solidariedade, presidido pelo deputado Paulo Pereira da Silva, foi um dos primeiros partidos a defender abertamente o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. O parlamentar, que esteve presente no evento dessa quarta, é um dos principais líderes da Força Sindical.

No mesmo discurso aos sindicalistas, o petista atacou o ministro Paulo Guedes (Economia), criticou a reforma trabalhista em discussão no Congresso com apoio do governo federal e cobrou um Estado forte que possa proporcionar benefícios à população e à classe trabalhadora.

“Não pensem que esse Guedes tem preocupação com vocês. Não se iludam. Esse Guedes jamais imaginou fazer algum benefício para o trabalhador. O problema dele é atender aos interesses do sistema financeiro. É fazer com que haja mais facilidade para os banqueiros ganharem dinheiro”, disse o petista.

​Lula também criticou o presidente Jair Bolsonaro (PL) pela recusa em implantar o passaporte da vacinação no país. O petista questionou ainda a presença de um militar, o general Eduardo Pazuello, no comando do Ministério da Saúde durante a pandemia.

“Se a lei não permite colocar no papel, a lei não proíbe colocar na nossa língua. Esse nosso presidente é um genocida, responsável por parte de, pelo menos, metade das pessoas que morreram”, afirmou o líder petista.

“Se ele não gosta dele, dos seus filhos, se eles não se respeitam, eles precisam criar responsabilidade e permitir que as pessoas sejam obrigadas a apresentar o teste de vacinação para proteger a sociedade brasileira”.

Um dia antes, o governo decidiu exigir uma quarentena de cinco dias de viajantes não vacinados que entrarem no Brasil. Pela nova regra, quem apresentar o certificado de imunização contra a Covid e teste negativo poderá cruzar a fronteira sem passar pelo período de isolamento.

A mudança contraria o discurso negacionista de Bolsonaro. Hora antes, em evento no Palácio do Planalto, o presidente comparou o passaporte da vacina a uma coleira. “Essa coleira que querem colocar no povo brasileiro. Cadê a nossa liberdade? Prefiro morrer do que perder a minha liberdade”, disse Bolsonaro durante evento de assinatura dos contratos do leilão do 5G, no Palácio do Planalto. ​

Valor

PSB encaminha federação com PT e outras siglas

Partido deve referendar decisão em reunião da Executiva Nacional

O PSB deu mais um passo para formar uma federação com o PT e outras legendas menores posicionadas no campo da esquerda. Em reunião ontem, em Brasília, 18 presidentes estaduais do partido se posicionaram favoravelmente à inclusão do PT no arranjo eleitoral. Participaram do encontro, 23 dirigentes.

Os representantes do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Mato Grosso disseram ser favoráveis à criação da federação, mas sem a participação o PT. Apenas o presidente do PSB no Tocantins, Carlos Amastha, se colocou contra a aliança, que obrigaria a montagem de chapas conjuntas em todos os Estados do país. O encontro não teve caráter deliberativo, mas indica que o partido deverá aprovar a iniciativa em reunião da Executiva Nacional, ainda sem data definida para ocorrer.

Na semana passada, a bancada do PSB na Câmara avisou ao presidente do PSB, Carlos Siqueira, que era amplamente favorável à união dos partidos contra a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) e em torno da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento, se consolidado, isolaria o também pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Há conversas adiantadas para inclusão do PCdoB, Psol, Rede e PV.

Inicialmente, parte da cúpula do PSB temia que, por ser um partido hegemônico, o PT pudesse ditar as regras e os rumos da federação, mas a resistência foi quebrada nas últimas semanas. Regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sinaliza que as siglas terão autonomia.

O principal motivo para criação da federação é o fim das coligações, que obrigará cada legenda a lançar sozinha as chapas na eleição de deputado e põe em risco a reeleição de vários deles. No PCdoB, por exemplo, pesa também a cláusula de desempenho, que ameaça deixar o partido sem fundo partidário e propaganda na TV e rádio caso não atinja o número mínimo de votos em 2022. Na eleição passada, a sigla só se salvou ao incorporar o PPL.

Independentemente da federação, PT e PSB devem concretizar aliança eleitoral nacional em 2022. Nos bastidores, há uma costura para que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, de saída do PSDB, migre para o PSB.

Neste arranjo, ele ocuparia a vice de Lula. Em contrapartida, o PSB quer que o PT ofereça apoio ao ex-governador Márcio França, em São Paulo, e ao ex-deputado Beto Albuquerque, no Rio Grande do Sul. Os dois pretendem concorrer ao governo nos seus respectivos Estados.

Valor

Centrão, PT, PSDB e DEM travam PEC da 2ª instância

Partidos trocam 17 membros de comissão para derrotar PEC

A tentativa de aprovar a proposta de emenda constitucional (PEC) da prisão em segunda instância na Câmara dos Deputados acabou frustrada ontem por uma manobra que uniu partidos do Centrão, como PP, Republicanos e o PL do presidente Jair Bolsonaro, o PSDB, DEM e o PT. Esses partidos trocaram seus representantes na comissão especial para construir uma maioria capaz de rejeitar o projeto e levaram o relator, deputado Fábio Trad (PSD-MS), a pedir a retirada de pauta.

O adiamento, contudo, incomodou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tinha construído um acordo para que a PEC fosse votada ontem, após seguidos cancelamentos a pedido dele. O compromisso era que não houvesse pedido de vista e nem requerimentos de obstrução. O novo adiamento jogou o texto num limbo porque Lira indicou ao presidente da comissão, deputado Aliel Machado (PSB-PR), que pode extinguir o grupo.

O regimento da Câmara estabelece o prazo de até 40 sessões para uma comissão especial votar uma PEC, mas é comum que esse prazo seja prorrogado. O projeto é debatido desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou, de novo, o entendimento sobre que fase do processo penal é possível prender alguém, desta vez exigindo que se espere o julgamento de todos os recursos. A decisão tirou da cadeia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e uma série de outros políticos.

Lira poderia, então, extinguir a comissão e levar a PEC diretamente para o plenário – decidindo, ele, quem seria o novo relator e quando seria pautada. Em conversa à tarde com Aliel e o autor da proposta, o deputado Alex Manente (Cidadania-SP), ele disse que ainda avaliará o caso e que não decidiu o que fazer. O mais provável é que o desfecho fique para 2022 porque o Congresso deve sair de recesso no dia 17.

A confusão toda ocorreu porque, na hora da votação, partidos como o PL de Bolsonaro e o PSDB do presidenciável João Doria trocaram integrantes que já tinham manifestado voto a favor da PEC por outros contrários. Os parlamentares favoráveis à proposta acreditavam ter 22 dos 35 votos da comissão, mas a manobra teria deixado apenas 12. Dos 70 integrantes, entre titulares e suplentes, 17 foram trocados, quase todos eles com voto direto.

Daniel Trzeciak (PSDB-RS), por exemplo, deixou de ser titular e virou suplente de Paulo Abi-Ackel (MG). “O líder do partido [Rodrigo de Castro] me ligou antes da votação e me disse que tiraria a vaga para cumprir um acordo feito. Fiquei dois anos debatendo a PEC e não concordo com essa manobra”, protestou.

Trad protestou que construiu o parecer com apoio dos membros da comissão ao longo de dois anos de debates e afirmou que retiraria a PEC de votação “para que não fosse ao matadouro”. Ele destacou que até mesmo deputados do PT estavam convencidos após acordo para que a PEC só valesse para novos processos – o que não envolveria, na época, Lula, que depois teve as condenações anuladas pelo STF.

Ex-presidente da comissão, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) criticou que faltou compreensão aos partidos e que os deputados estavam com “medo de um fantasma que não existe”. “Fazemos lei para o cidadão que entra com uma ação trabalhista e morre antes de conseguir receber. Fazemos lei para o empresário que é cobrado de um tributo incorretamente e vai à falência antes de recuperar seu dinheiro. Essa PEC não é feita nem para soltar nem para prender ninguém. É feita para criar uma justiça célere para todos. Esse Parlamento está com medo de entregar ao país um Judiciário que funcione”, disse.

Embora tenha começado como uma proposta voltada à prisão daqueles condenados em segunda instância, a PEC muda todo o sistema judiciário do país. Pelo texto, a execução das sentenças de qualquer área, seja criminal, cível, trabalhista ou eleitoral, ocorrerá após o duplo grau de jurisdição (ou seja, após um juiz confirmar a decisão de outro). Se as decisões forem divergentes, será possível esperar o julgamento do recurso.

Valor (Maria Cristina Fernandes)

A inércia da polarização

Bolsonaro mostra fôlego para se manter no páreo contra Lula

O acordo da PEC dos Precatórios alinhavou quase todas as condições materiais da disputa de 2022 para o presidente Jair Bolsonaro. Ruma para garantir o Auxílio Brasil de R$ 400, colchão com o qual pretende segurar a miséria já que pobreza, num país sob o aperto monetário já sinalizado pelo Copom, não vai dar pra reduzir.

É assim que o buraco aumenta. A cada aperto nos juros o presidente-candidato vai fazer mais um puxadinho no teto. Na disputa que hoje se configura pela liderança do antipetismo, o retrato desta largada favorece Bolsonaro ante a ameaça de Sergio Moro.

Se a terceira via, na definição do diretor da Quaest/Genial, Felipe Nunes, é uma demanda que se mantinha com pouca oferta, o ex-ministro, na última edição da pesquisa divulgada ontem, mostra que chegou para preencher esta lacuna.

Ainda não há sinais, porém, de que será capaz de ultrapassar a postulação presidencial à reeleição. Bolsonaro mostra fôlego para se manter no páreo contra Lula A corrupção como problema mantém-se subordinada aos dramas da miséria, desigualdade e desemprego.

Moro pode prometer, mas é seu ex-chefe que terá entregas a fazer em 2022. A expectativa delas, somada ao pagamento da primeira parcela do décimo-terceiro, já ajudou a reverter o azedume do eleitorado com Bolsonaro.

O presidente sempre pode por tudo a perder porque é desembestado, a operação do governo é ruim e a oscilação histórica do humor do eleitor prevê ressaca no primeiro trimestre do ano. A foto de hoje, porém, mostra que ele conta com os recursos e a expectativa positiva de um nicho do eleitorado capaz de colocá-lo no segundo turno.

A melhoria de sua avaliação entre evangélicos mostrou, como era previsível, que o presidente faturou a ida de André Mendonça para o Supremo contra a qual trabalhou. Busca prorrogar esse bônus prometendo, se reeleito, mais dois ministros da mesma filiação religiosa. O limite desta fatura é a economia. Se o assistencialismo segura as pontas da miséria, a previsão para juro, crescimento e emprego em 2022 é uma montanha que a fé custa a remover.

Quando se diz que em 2018 Moro teria mais chances do que hoje não é apenas porque a #vazajato e a adesão ao governo trincaram a imagem que havia propagado, mas também porque aquela eleição é filha única. Sucedeu ao governo mais impopular da história, sem legado a ser defendido, favorecendo a antipolítica.

A disputa de 2022, Felipe Nunes aposta, será diferente. Estará mais próxima daquela de 20 anos atrás. Na de 2002 o presidente não disputava a reeleição, mas o PT, como hoje, estava na oposição e se favoreceu pela crise econômica. Em mais de 30 anos de disputas eleitorais entre PT e PSDB também foi aquela a eleição em que os partidos mais se aproximaram, pela civilidade da transição.

A aproximação entre o ex-presidente Lula e Geraldo Alckmin sugere uma retomada daquele movimento, mas além de PT e PSDB já não serem os mesmos, nem tucano o ex-governador será.

A contribuição dos partidos para afastá-los pode ser medida pelo fato de que Lula e Fernando Henrique se aproximaram na campanha do ex-presidente tucano ao Senado, em 1978, quando os dois partidos também não existiam. O último gesto de relevância política de FHC foi o de declarar que, num segundo turno contra Bolsonaro, ficaria com Lula.

O petista também se movimenta de maneira cada vez mais autônoma do PT, partido que tem perdido protagonismo parlamentar. Mostra-se incapaz de faturar a autoria de projetos como o vale-gás, que Bolsonaro já carimbou de seu, ou de justificar iniciativas como a proposta que pretendia aumentar o controle do Supremo e do Congresso sobre o Conselho Nacional do Ministério Público.

As idas e vindas da aproximação com Alckmin respondem menos à resistência petista do que à montagem da aliança com a qual Lula pretende disputar. Com a saída do PDT do bloco de aliados históricos e a atração de protagonistas da oposição, como o governador do Maranhão, Flávio Dino, e os deputados federais Marcelo Freixo (RJ) e Tabata Amaral (SP), o PSB subiu seu preço. Onde se lê resistência do PT à aliança entenda-se barganha para reduzir o preço do PSB.

Some-se a isso a importância da disputa em São Paulo, colégio eleitoral em que o PT só ganhou uma eleição presidencial, a de 2002. Mais do que acenar ao centro, a aliança com Alckmin obedece à centralidade do palanque no maior colégio eleitoral do país.

Com tantos nós na aliança petista a serem desatados, Alckmin achou por bem deixar a definição para o próximo ano. A opção da candidatura ao governo do Estado pelo PSD está de pé, ainda que cada vez mais isolada, visto que o União Brasil tende à aliança com o PSDB em torno da candidatura do vice-governador Rodrigo Garcia.

Está claro ainda, para o ex-governador, que Lula é mais favorito na disputa presidencial do que ele o é na estadual. E que ser vice na chapa de um presidente que chegaria ao final do primeiro mandato aos 82 anos lhe abre mais perspectiva de futuro do que um quinto mandato como governador de São Paulo.

Da resolução dos imbróglios da aliança petista ainda ficará claro se Alckmin teria o espaço que, no encontro com sindicalistas, sinalizou almejar. Se José Alencar, que era senador, chegou a ser ministro da Defesa, parece natural que o ex-governador de São Paulo, por quatro mandatos, tenha a expectativa de atribuições maiores.

Os sindicalistas pediram o encontro numa sexta e conseguiram marcar já para a segunda seguinte. Saíram de lá com a impressão de que Alckmin prefere a disputa nacional, ainda que não esteja disposto a virar problema, mas solução.

A chapa com Alckmin mostraria ainda a aposta de Lula numa campanha menos enfeitada do que a de 2018. Marcada pelo que se fez, pelo que se deixou de fazer e pelo que ainda se pode fazer. E também pelo que fez de errado, como a gestão petista na Petrobras.

Já não tem lugar, nas periferias das grandes cidades, para o domínio de jovens que fazem “zoação” com memes em que Bolsonaro é herói. O voto no presidente deixou de encarnar a rebeldia despolitizada como o fez em 2018.

Da tríade antipolítica, troça e notícias falsas, que marcaram 2018, restará a última. E nesse campo, por mais restrições que lhe tenham sido impostas pela justiça eleitoral e pelas redes, Bolsonaro já demonstrou que não conhece limites. Não custará a ultrapassá-los. Primeiro contra Moro. Depois, contra Lula.

Maria Cristina Fernandes é jornalista do Valor. Escreve às quintas-feiras [email protected]

O Globo (Vera Magalhães)

Pesquisa mostra início de queda na rejeição a Bolsonaro

Muito se comentaram os cenários eleitorais da última pesquisa Quaest, mas pouco se observou a redução da avaliação negativa de Jair Bolsonaro, consistente e generalizada nos segmentos de renda, escolaridade e sexo e em quase todas as regiões do país, com exceção do Nordeste.

Não se trata nem de longe de uma inversão: os que avaliam o governo como ruim ou péssimo ainda são a grande maioria dos entrevistados, mas essa curva tem queda acentuada, que também se reflete em discretas melhoras nos índices de regular e ótimo e bom.

Há apenas um mês, 56% dos entrevistados sapecavam um ruim ou péssimo na avaliação do governo. São 50%, uma queda acima da margem de erro, de 2 pontos. Da mesma forma a avaliação regular subiu de 22% para 26%, e a ótimo/bom oscilou de 19% para 21%.

No Centro-Oeste, despencou de 54% para 44% o grupo que rejeita Bolsonaro. No Norte a recuperação foi de 59% para 50% nesse indicado, e no Sul, de 54% para 40%. Nessa última região, a soma de regular com ótimo e bom já supera o índice negativo: 57% contra 40%.

Bolsonaro se recuperou levemente entre as mulheres (era rejeitado por 59%, e agora o é por 50%), e até entre os jovens: rejeição despencou de 61% para 52% no grupo até 24 anos.

O que ajuda a explicar o leve refresco foi a superação do pior momento da pandemia, como mostram perguntas subsequentes da pesquisa. Ou seja: Bolsonaro, que não para de conspirar contra a vacina e de atrapalhar a imunização, está se beneficiando da disseminação da vacinação e da redução das taxas de contágio e morte por covid-19.

Desde agosto, a economia superou a pandemia como o problema que mais preocupa os brasileiros, segundo a Quaest. Essas duas curvas só se distanciaram nos últimos meses. Hoje são só 19% os que apontam a pandemia como problema mais grave, contra 41% que indicam a economia.

Quando se aprofunda o recorte econômico, é o desemprego a maior preocupação, lado a lado com a fome, apontada como pior problema social. Enquanto 70% dizem que a economia piorou este ano, a maioria dos ouvidos, 41%, diz que ela vai melhorar no ano eleitoral de 2022.

Essa expectativa de melhora, se atendida em parte pelo governo, pode ser um combustível a mais para a recuperação de Bolsonaro, caso a oposição não se dê conta do peso que a máquina pública exerce em disputas eleitorais no Brasil.

E parece não se dar conta: nos últimos meses, o presidente tem sido ajudado por votos de senadores e deputados de partidos que têm candidatos a disputar com Bolsonaro no ano que vem. Foi assim na votação da liberação do orçamento secreto, na indicação de André Mendonça para o STF e na PEC dos Precatórios, para ficar em apenas três casos recentes.

Estão deixando Bolsonaro colocar a cabeça para fora, mesmo com os incontáveis indicadores de retrocessos graves de seu governo em absolutamente todas as áreas da administração e das práticas republicanas.