Com 1.470 casos, mortes por feminicídio atingem o maior patamar no país desde 2015
Brasil registrou a morte de quatro mulheres por dia. Total supera a marca anterior de 2024, 1.464 casos, e escancara ferida aberta que ignora fronteiras e classes sociais

Os Metalúrgicos do ABC levantam sua voz e fecham o punho contra o extermínio sistemático de mulheres no Brasil. Conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pelos números de 2025, 1.470 vidas foram ceifadas por serem mulheres. Para a diretora executiva do Sindicato, Andrea Sousa, a Nega, esse cenário exige debate aprofundado e ações da sociedade sobre as raízes do ódio.
“O feminicídio é a expressão mais cruel da violência contra as mulheres e não acontece de forma isolada. Ele é resultado de um ciclo de agressões que muitas vezes permanece invisível, já que muitos casos não são denunciados e os dados oficiais seguem sendo subnotificados”, alerta a dirigente.
Essa invisibilidade, infelizmente, esconde uma tragédia cotidiana: em 2025, o Brasil registrou a morte de quatro mulheres por dia. O total supera a marca anterior de 2024 (1.464 casos) e escancara uma ferida aberta que ignora fronteiras e classes sociais.
“Nosso Sindicato reafirma o compromisso com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das trabalhadoras, entendendo que a nossa luta de classe é indissociável da luta pela sobrevivência de cada companheira”, disse Andrea.

Em números
Desde que a tipificação do crime foi criada, em 2015, o crescimento foi estarrecedor. Naquele ano, foram 535 mortes; em uma década, o salto foi de 316%. Ao todo, 13.448 mulheres foram assassinadas em dez anos por motivação de gênero — uma média anual de 1.345 crimes. São Paulo lidera o ranking do horror com 233 casos em 2025, seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). É alarmante notar que os dados paulistas ainda estão incompletos, o que projeta um cenário ainda mais sombrio.
A nível federal, mesmo com o projeto sancionado ano passado pelo presidente Lula que elevou a pena máxima do feminicídio para 40 anos, a dirigente ressalta que a punição é apenas uma face da moeda.
“Garantir emprego, renda, acesso à informação e condições de trabalho dignas também é uma forma de enfrentar a violência, fortalecendo a autonomia das mulheres”, afirma. A nova lei endurece o castigo para crimes contra grávidas, menores de 14 anos ou idosas, e prevê agravantes quando o assassinato ocorre na frente de filhos e pais, expondo a face covarde desse crime que destrói famílias inteiras.
Esse embate, contudo, exige persistência diária e união. “Essa é uma luta que envolve mulheres e homens, pois combater a violência de gênero é uma responsabilidade coletiva e essencial para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária”, reforça Nega.