Com INPC a 10,42%, pressão por aumento será ainda maior na Campanha Salarial

Patrões alegam que empresas não estavam preparadas para esse índice. Metalúrgicos seguem mobilizados por reajuste

Foto: Adonis Guerra

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em doze meses rompeu a barreira dos dois dígitos e chegou a 10,42%. (leia mais na coluna do Dieese). Com essa alta da inflação, os representantes da FEM/CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT) avaliam que a pressão sobre os patrões para a conquista do índice e do aumento real deve ser ainda maior. Para mobilizar a categoria, os Metalúrgicos do ABC vêm realizando assembleias nas fábricas. 

Foto: Adonis Guerra

Na manhã de ontem, a conversa foi com os trabalhadores na Marcolar, em Ribeirão Pires. O coordenador da Regional, Marcos Paulo Lourenço, o Marquinhos, destacou a necessidade e um acordo justo.

“Todo mundo aqui acorda de madrugada, vem trabalhar, aí na hora de receber um reajuste o patrão olha pra gente na mesa de negociação e diz que as coisas estão ruins. Mas se estão ruins para uma empresa que faturou muito, imagine como está para o trabalhador quando tem que ir ao mercado, ou vai no posto de gasolina. Entendemos o momento, mas queremos dignidade, queremos o que é justo”.

Balanço da Campanha

O secretário-geral da Federação, Ângelo Máximo Pinho, o Max, fez um balanço de como estão as negociações com a bancadas patronais e reforçou a importância da unidade entre os metalúrgicos para conquistar um bom resultado.

“Antes de oficializar o INPC os patrões já tinham apresentado proposta de parcelamento do Índice, mas num valor menor. Na semana passada, quando oficializou em 10,42%, o impasse ficou ainda mais acirrado, os patrões alegam que as empresas não estavam preparadas para esse acúmulo. Mesmo com esse índice, apresentamos na mesa nossa reivindicação de aumento real e precisamos brigar por isso”. 

“Os trabalhadores estão de prontidão. Em todas as assembleias tem sido aprovada a mobilização para, se for preciso, intensificar a luta. Alguns grupos patronais, além da intransigência para chegar ao INPC, têm falado de rebaixamento do teto salarial e congelamento do piso. Precisamos lutar também contra isso”, frisou.

Foto: Adonis Guerra

Cláusulas sociais

O dirigente também destacou a importância das cláusulas sociais. “Temos sofrido com a retirada de direitos apoiada pela classe patronal, desde 2017 com a reforma Trabalhista e depois com a Carteira Verde Amarela. Recentemente, tivemos uma vitória no Senado que foi o engavetamento da MP 1045, mas não podemos vacilar, o governo e a classe patronal vão tentar buscar outra forma de retirar direitos. Por isso é importante a renovação da Convenção Coletiva que garante nossas cláusulas sociais”.

O dirigente explicou que foi apresentada às bancadas patronais a renovação de todas elas até 2023 e que essa reivindicação está caminhando para ser aprovada. 

Foto: Adonis Guerra

Já sobre as cláusulas novas, a respeito de nacionalização de máquinas e componentes e negociação com os sindicatos para investimento em novas tecnologias, Max lembrou que são discussões mais complexas que levam mais tempo para serem concluídas.

“Estamos caminhando para montar um fórum permanente e mesmo após fechar a negociação de CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) continuar dialogando sobre esses temas com as bancadas patronais”, reforçou o secretário-geral.  

Outro item bem recebido pelos patrões, segundo ele, foi a preferência na contratação de trabalhadores vacinados contra a Covid-19, a partir de janeiro de 2022.