“Com os avanços tecnológicos nos processos produtivos é preciso que haja uma redução na jornada legal de trabalho no Brasil”
Metalúrgicos do ABC convocam ato amanhã pela redução de jornada sem redução de salário e outras pautas da classe trabalhadora

As demandas de luta da classe trabalhadora, incluindo a redução de jornada sem redução de salário e o fim da escala 6X1 estão na ordem do dia dos Metalúrgicos do ABC, que convocam toda a categoria para participar de ato amanhã. A concentração será em frente à Sede, a partir das 9h, com caminhada pela Marechal Deodoro, no Centro de São Bernardo.
O objetivo é chamar a atenção da população e pressionar o Congresso Nacional para a votação também de outras pautas como a isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil, isenção do IR sobre PLR e redução da taxa Selic.
O secretário-geral do Sindicato, Claudionor Vieira, argumenta que não é mais viável uma jornada superior a 40h semanais, após todo avanço tecnológico que tem aumentado cada vez mais a produtividade nas empresas. Ele lembra, inclusive, que a última alteração – quando a jornada passou de 48h para 44h – foi feita na Consituição Federal de 1988.

“Hoje, com os avanços tecnológicos e a consequente melhoria dos processos, tendo ganho de produtividade excepcional, não existe nada que justifique não ter uma redução na jornada legal de trabalho no Brasil. Já era para estarmos discutindo uma redução para menos de 40 horas, estamos atrasados”.
Geração de empregos
De acordo com estudo da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), apenas na base do Sindicato, se todos os trabalhadores e trabalhadoras com expediente acima de 40 horas semanais tivessem sua jornada reduzida, seriam gerados aproximadamente 3 mil novos postos de trabalho na região. O levantamento aponta ainda que a maior parte dos metalúrgicos e metalúrgicas da base tem jornada superior a 40 horas semanais, são 62,8%. Os dados são baseados na RAIS de 2023.
“Nesse ponto é preciso mobilização, já que o Congresso Nacional não olha com atenção para essa pauta dos trabalhadores. Queremos a redução de jornada sem redução do salário, para permitir que os trabalhadores tenham mais tempo livre para o lazer com a família, para estudar, ter mais qualidade de vida e também para gerar mais empregos. Não é justo que o Brasil caminhe na contramão de muitos países que já implementam jornada de trabalho menor”.
Países com jornada inferior a 37h semanais
Entre os países do G20 – bloco que reúne as maiores economias do mundo -, o Brasil aparece na 11º posição de horas trabalhadas semanalmente. No Canadá, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Japão a média de horas trabalhadas por semana é menor do que 37.
Escala 6×1
Outra bandeira da classe trabalhadora inserida na pauta dos Metalúrgicos do ABC é o fim da escala 6×1. A câmara dos deputados discute uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), apresentada em 1º de Maio do ano passado, que propõe o fim da escala e a adoção de uma jornada de 36 horas semanais, dividida em quatro dias.
“A escala 6×1 é uma forma desumana de trabalho porque não permite que os trabalhadores tenham sequer um final de semana livre. É preciso encontrar uma forma que humanize mais o trabalho. O trabalhador precisa ser visto como uma peça fundamental nessa engrenagem, e para ele ser visto como peça fundamental, precisa ser visto de forma humana”.
Claudionor finalizou ressaltando que com a diminuição das jornadas muitas empresas ganham em produtividade, já que os trabalhadores exercem melhor suas funções tendo mais satisfação pessoal.