Consciência Negra: O preconceito revelado
Dizem que no Brasil não existe racismo por causa da cordialidade do povo e convivência pacífica entre raças. Todas as estatísticas e pesquisas apresentadas por conta do 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, no entanto, mostram que o preconceito racial existe sim e uma das suas faces está nas desvantagens entre o brasileiro negro e o brasileiro branco.
A renda de negros ou pardos é metade da dos brancos. Na mesma comparação, a escolaridade é menor e o desemprego maior e o acesso aos serviços de saúde é desigual.
Mulheres negras ainda são as maiores vítimas de desigualdades no trabalho, enquanto o jovem negro tem duas vezes mais chances de morrer assassinado que o jovem branco.
“Somos a maioria da população, mas enfrentamos muita dificuldade. Chega de ter cotas na pobreza e nas cadeias, queremos cotas na universidade. Queremos ver o povo ser feliz”, enfatizou a cantora Leci Brandão, na palestra da sexta-feira à noite na Sede do Sindicato.
Para o deputado Vicentinho, que também participou do evento, o mês da Consciência Negra exige a luta da sociedade organizada para que o negro possa vencer as desigualdes. “Assim como o movimento sindical se une para defender o valor do salário mínimo, é necessário mobilização para a nossa causa”, enfatizou.
Renda é menor que a do branco
O rendimento médio dos brasileiros que se declaram negros ou pardos é equivalente à metade do que é recebido pela população branca.
De acordo com o IBGE, os negros e pardos recebiam, em média, R$ 660,45 em setembro deste ano. Esse valor representava 51% do rendimento médio da população que se declara branca, que tinha R$ 1.292,19. A população negra ou parda, segundo o IBGE, é 43% da população economicamente ativa.
A taxa de desemprego dos negros é equivalente a 11,8%, enquanto o desemprego entre os brancos está em 8,6%.
Escolaridade – Ainda conforme o IBGE, a população em idade ativa formada por negros e pardos tinha, em média, 7,1 anos de estudo, um ano e meio menos que a população branca, que conquista 8,7 anos de estudo, em média.
Jovens morrem duas vezes mais
Estudo feito pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) indica que as mortes por assassinatos são mais freqüentes entre os homens negros na faixa de 10 a 24 anos do que entre os brancos no Estado de São Paulo.
Enquanto ocorrem 60,5 óbitos por cada 100 mil homens no caso dos brancos, essa proporção dobra para os negros. São 120 mortes para cada 100 mil homens. Em São Paulo, a população negra representa 31% dos quase 27,4 milhões de habitantes.
A Seade baseou o estudo sobre assassinatos em declarações de óbitos emitidas no período de 2003 a 2005. Essas declarações mostram que o índice de mortalidade por homicídios, acidentes e suicídios é maior entre os negros.
Parada reúne 10 mil em São Paulo
Mais de 10 mil pessoas participaram ontem da Parada Negra, realizada nas ruas centrais da capital em comemoração ao Dia da Consciência Negra. O pessoal saiu em passeata do MASP até a Assembléia Legislativa, onde houve ato político.
Um dos objetivos da manifesta