Democracia no chão de fábrica: Metalúrgicos do ABC dão início ao processo eleitoral
Serão 46 empresas com representação direta, totalizando 159 dirigentes nos Comitês Sindicais de Empresa e seis membros no Comitê Sindical dos Aposentados

Trabalhadores e trabalhadoras sócios aprovaram, por unanimidade, a abertura do processo eleitoral que definirá a direção do Sindicato para o triênio 2026-2029. Em Assembleia Geral realizada na noite de ontem, na Sede em São Bernardo, a categoria estabeleceu o calendário oficial, elegeu a Comissão Eleitoral e validou a configuração dos CSEs (Comitês Sindicais de Empresa), consolidando a décima renovação consecutiva por voto direto nos locais de trabalho.
O pleito, que definirá a 24ª gestão da história da entidade fundada em 1959, estrutura-se em duas etapas: a eleição dos CSEs no primeiro turno e a escolha dos Conselhos da Executiva e Fiscal no segundo. Ao todo, 46 empresas terão representação direta, totalizando 159 dirigentes nos comitês e seis membros no CSA (Comitê Sindical dos Aposentados). O formato, vigente desde 1999, foca no fortalecimento da organização no chão de fábrica e na renovação geracional das lideranças.
O presidente dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, destacou o encerramento de um ciclo coletivo vitorioso. Ele enfatizou que a estratégia batizada de “A Retomada” cumpriu o papel de devolver o protagonismo à entidade, garantindo trânsito direto em Brasília e nas prefeituras da região para pautar os interesses da classe trabalhadora.

“Este Sindicato é imortal. Passamos da resistência para a ofensiva, recuperando o diálogo diário nas portas das fábricas”, afirmou o dirigente. Para Moisés, a essência da atuação reside na proximidade com a base. “O aperto de mão e a entrega da Tribuna Metalúrgica na madrugada são pilares inegociáveis. Fico orgulhoso por ver lideranças preparadas e jovens ocupando espaços, garantindo que a luta siga em boas mãos”, completou.
Mobilização e representatividade
O diretor administrativo da entidade, Wellington Messias Damasceno, exaltou a expressiva participação dos sócios no rito democrático, vinculando a organização interna aos avanços políticos conquistados nos últimos anos.

“Esta casa costuma lotar para as campanhas salariais e pautas do dia a dia, mas nem sempre uma organização consegue mobilizar sua militância com tamanha força apenas para iniciar um processo eleitoral. Isso prova que somos uma entidade participativa, que extrai energia e capacidade de transformação de sua própria base”, pontuou Wellington.
O diretor também conectou o momento atual ao cenário nacional. “Nossa luta transforma. Hoje, realizamos esta assembleia com o presidente Lula governando o país, com o Sindicato fortalecido e ampliando o número de dirigentes na base. Isso é resultado de compromisso e resistência”, declarou.

Estrutura e democracia
O secretário-geral Claudionor Vieira detalhou o funcionamento estatutário do pleito, que utiliza o número de sócios por cada fábrica para definir a representatividade. Segundo ele, o modelo de CSEs é o que assegura a vitalidade democrática da categoria.
“A organização no local de trabalho é o nosso diferencial. O cronograma apresentado garante transparência na escolha daqueles que conduzirão os interesses dos metalúrgicos”, explicou Claudionor. A configuração dos comitês sindicais mantém o incentivo à diversidade, com diretrizes para a participação de mulheres e jovens. “Desta forma, o processo eleitoral dos Metalúrgicos do ABC é democrático, garantindo a participação de sócios e sócias”, disse Claudionor.

Trabalhadores aprovam Comissão Eleitoral
Responsáveis por acompanhar o processo eleitoral, os cinco integrantes da Comissão foram aprovados durante Assembleia Geral ontem na Sede. O presidente da Comissão é Wagner Santana, o Wagnão, ex-presidente dos Metalúrgicos do ABC.
Conheça os integrantes

“Muitos hesitam antes de entrar em um processo eleitoral, e é natural. Ao colocar o nome à disposição, o trabalhador arrisca sua progressão e projetos pessoais em favor da categoria. No passado, companheiros arriscaram a própria vida por essa representação; hoje, nossa luta é de memória e renovação. Eleger uma direção é reafirmar o compromisso de quem está no pé da máquina. Não basta votar: é preciso apoiar e exigir que o patrão respeite quem nos representa. Que cada candidato assuma essa missão com honra, dignidade e o rigor democrático que nossa história exige”.
Wagner Santana, o Wagnão, ex-presidente do Sindicato de 2017 a janeiro de 2022. Desde 1987 na Volks, foi cipeiro, Comissão de Fábrica, CSE, integrante do Comitê Mundial dos Trabalhadores na montadora, presidente do Dieese e secretário-geral na base.

“Temos muito trabalho pela frente e precisamos estar atentos, acompanhando todo o processo, da abertura ao fechamento das urnas. Mas a Comissão Eleitoral é boa, focada no dia a dia da eleição. A luta continua”. Wagner Luiz de Freitas, ex-CSE na Mercedes

“Mais uma vez, reafirmamos para toda a categoria a nossa tradição democrática. Esta eleição, sempre pautada pela transparência, ganha ainda mais força com a participação de todos na assembleia”. Gerson Dias Pereira, ex-Comissão de Fábrica e CSE na Volks

“Conduzir a eleição do Sindicato é uma grande responsabilidade. Sinto-me honrado em ver de perto o trabalhador exercendo seu direito democrático no chão de fábrica”. Evandro Dias Sampaio, o Carrapicho, ex-CSE na Multibrás e assessor de base na entidade

“Daqui até o final do pleito, o compromisso desta Comissão Eleitoral é um só: conduzir um processo com responsabilidade e transparência, seguindo o que rege o estatuto do Sindicato”. Maria José da Silva Modesto, ex-CSE na GL Eletro
