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CNI e ABDI querem sensibilizar empresários para a transformação digital por meio de exemplos

Processos produtivos digitais e integrados, que caracterizam a indústria 4.0, ainda são raros no Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) decidiu investigar os motivos da lentidão do país rumo a transformação digital nas fábricas. O documento Difusão das Tecnologias da Indústria 4.0 em Empresas Brasileiras, divulgado em outubro, relaciona entre os principais fatores que retardam o avanço as restrições financeiras ao investimento, a conjuntura econômica desfavorável do país, problema acentuado com o impacto da Covid-19, e a baixa oferta de crédito.

O principal problema percebido, porém, é a falta de informação. É comum entre dirigentes de empresas, pequenas ou grandes, a avaliação que muitas das tecnologias da indústria 4.0 – como inteligência artificial, big data, analytics, internet das coisas, realidade aumentada, robótica e computação em nuvem – são modismos, são caras e não apresentam um claro retorno do investimento.

O baixo interesse dos empresários pode ser medido pela baixa procura por uma linha de crédito criada pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2019 para incentivar a implantação de tecnologias habilitadoras da indústria 4.0 em empresas com receita anual de até R$ 300 milhões. A Finep Inovacred 4.0 é uma das linhas de crédito mais baratas, com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 4,5% ao ano mais 1%, mas até novembro de 2020 apenas 18 projetos foram contratados, com demanda de R$ 12,5 milhões. Há R$ 200 milhões disponíveis.

A CNI desenvolveu um projeto para ajudar a indústria a fazer um diagnóstico de maturidade tecnológica e criar uma estratégia de digitalização. A confecção mineira Provest Uniformes foi uma das pioneiras do programa e colhe os resultados. Bruno Jorge, gerente de difusão tecnológica da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), diz que o parque fabril brasileiro é antigo, com máquinas de 16 a 17 anos em média, o que leva o empresário a se retrair por julgar que precisa investir pesado em máquinas inteligentes. No entanto, pode fazer um smart retrofit, instalar sensores que coletam dados e agregam inteligência à produção.

Do Valor Econômico