Discriminação dos bancos é tão alta como os lucros

A discriminação racial nos bancos é tão fabulosa quanto os seus lucros.

Essa é a conclusão de investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) nos cinco maiores bancos privados do Distrito Federal. A mesma investigação já é feita em outros Estados.

O MPT concluiu haver um grande distanciamento na composição étnica dos trabalhadores dessas instituições.

Do total de trabalhadores, 92% são brancos e 8% negros. A discriminação é muito maior comparando os cargos de chefias ocupados por negros, que não chegam a ser mais que 3,8%. Os salários dos negros são 25% menores.

Na mesma comparação, a presença da mulher negra em cargos de chefias é irrisória, apenas 1%.

Eles admitem

“Os banqueiros admitem que há discriminação, mas disseram que no Brasil é assim mesmo e se negaram a participar do Programa de Promoção da Igualdade para Todos, lançado em abril pelo MPT”, disse a secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Bancários da  CUT, Neide Aparecida Fonseca.

O programa tem o objetivo de tornar o quadro de pessoal nas empresas um reflexo da população local. Para o procurador Otávio Brito Lopes, que é coordenador do Programa, os bancos foram escolhidos para uma primeira investigação por serem o setor que mais lucra no País.

Metalúrgicos têm a mesma pauta

A contratação por diversidade étnica é uma das reivindicações apresentadas a todos os grupos na nossa campanha salarial. “Se olharmos com atenção veremos que esse problema nos bancos está presente também nas fábricas”, lembrou Ana Nice Martins, diretora do Sindicato.

Nas pautas, os metalúrgicos pedem que as empresas dediquem cotas nas novas contratações para pessoas jovens sem nenhuma experiência profissional, pessoas com mais de 40 anos de idade, mulheres e negros.

Outra reivindicação neste sentido é das empresas destacarem em seus anúncios de contratação as iguais oportunidades de trabalho e usar a imagem de todas as origens étnicas nas propagandas de seus produtos.

Reivindicação específica para os negros é que as fábricas promovam exames periódicos de anemia falciforme.