Desafios e perspectivas da classe trabalhadora para 2026

Trabalhadores entram no novo ano organizados para enfrentar obstáculos, defender liberdades, garantir renda, empregos de qualidade e um projeto de país com inclusão e justiça.

Foto: Adonis Guerra

Entramos em 2026 com a consciência de que atravessamos um período de reconstrução e retomada de direitos, políticas públicas e esperança para a classe trabalhadora. Retomamos o diálogo social, a presença do Estado na economia e a confiança de que é possível avançar.

Os números ajudam a contar essa história, assim como medidas concretas que impactam diretamente a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é um passo importante à justiça tributária, que corrige distorções históricas e alivia o orçamento de quem sempre pagou proporcionalmente mais impostos.

O Brasil registra hoje a menor taxa de desemprego dos últimos anos, a economia voltou a crescer e setores estratégicos da indústria retomaram investimentos. Para quem vive do próprio trabalho, isso não é estatística: é comida na mesa, é carteira assinada, é dignidade recuperada.
Mas é preciso ir além. Apesar de tudo o que já conquistamos e retomamos até aqui, ainda há muito mais pela frente. O processo de reconstrução do país e de fortalecimento dos direitos trabalhistas continua.

Ao mesmo tempo em que comemoramos avanços, temos plena consciência dos desafios que seguem. Nossa luta continua firme pela isenção do Imposto de Renda sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), pela redução de jornada sem redução nos salários e fim da escala 6X1. Crescer não basta: é preciso crescer com geração de empregos de qualidade, direitos garantidos, valorização dos salários e políticas industriais que fortaleçam a produção nacional. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC seguirá na linha de frente da defesa de uma política de desenvolvimento que tenha o trabalhador como eixo central.

Defender empregos hoje também é defender a soberania nacional. Sem uma indústria forte e capacidade produtiva própria, o país perde autonomia, enfraquece sua economia e fica à mercê de interesses externos. Por isso, nossa luta é também pela reindustrialização do Brasil, pelo fortalecimento das empresas nacionais, pelo conteúdo local e por investimentos públicos e privados que garantam um projeto de nação soberano.

Nada disso se sustenta sem democracia. A história recente mostrou o preço alto que o povo paga quando a democracia é atacada e os direitos são tratados como obstáculos. Defender a democracia é defender o direito de organização sindical, a negociação coletiva, a liberdade de expressão e a participação popular nas decisões do país. É por isso que reafirmamos, em 2026, nosso compromisso inegociável com a democracia, com as instituições e com o Estado de Direito.

Este será também um ano decisivo no campo político. Teremos eleições e, com elas, a responsabilidade de eleger representantes comprometidos com a classe trabalhadora: deputados, senadores, governadores e um presidente que entendam que desenvolvimento sem justiça social é retrocesso. O voto é uma ferramenta poderosa de transformação, e não podemos abrir mão dela.

Que 2026 seja, sim, um ano em que possamos ser felizes com conquistas concretas: mais direitos, mais empregos, mais renda e mais dignidade. Mas que ninguém se iluda: nada virá de graça. Será um ano de muita luta e muito trabalho, como sempre foi para quem vive do próprio esforço.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC seguirá organizado, mobilizado e combativo, dialogando com a sociedade, pressionando governos e patrões e defendendo, com firmeza, os interesses da nossa categoria e da classe trabalhadora brasileira. Seguimos juntos com coragem, esperança e unidade porque quando a classe trabalhadora se organiza, transforma o presente e constrói o futuro.

Moisés Selerges
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC