Em atos pelo país, CUT, demais centrais e movimentos sociais cobram diminuição da taxa de juros
Data foi escolhida por ser à véspera da decisão do Copom, que deve definir hoje a nova taxa

O dia de ontem foi marcado por manifestações em todo Brasil, promovidas pela CUT e demais centrais sindicais, pedindo a redução da taxa Selic – os juros oficiais do país definidos pelo Banco Central.
Os atos do “Dia Nacional de Mobilização Menos Juros, Mais Empregos” foram realizados em várias capitais. Em São Paulo, na Av. Paulista, movimentos sociais e estudantis aderiram às manifestações, com cartazes chamando a atenção sobre a importância do debate.
Ao falar com os manifestantes, o secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Claudionor Vieira, destacou que taxa alta trava o crescimento do país. “O Brasil não pode continuar cobrando uma das mais altas taxas de juros do mundo. É preciso que a Selic baixe para priorizar o investimento na produção, gerar emprego e renda. A taxa alta como está impede o pais de crescer e trava o desenvolvimento”.

“O que passa a prevalecer é a especulação financeira. O Banco Central precisa urgentemente criar condições para baixar a taxa de juros para que a população possa financiar um carro, uma geladeira, um eletrodoméstico, é isso que melhora o desempenho da produção industrial”, completou o dirigente.
Na mesma linha, o secretário-geral da CUT São Paulo, Daniel Bispo Calazans, lembrou que os juros altos inviabilizam o acesso ao crédito e a abertura de novo negócios.
“A alta nos juros inviabiliza o crescimento, se não tem crescimento, não tem emprego, e olha que o emprego está bombando neste momento, tanto na indústria como no comércio. Mas se esse patamar for mantido, sabemos o que vai acontecer, adeus desenvolvimento, adeus crescimento, adeus pleno emprego. Aí aqueles companheiros que foram demitidos e vão tentar abrir o seu negócio também não terão acesso a crédito, porque os juros vão corroer tudo e inviabilizar esse trabalhador que porventura escolheu ser um empreendedor”.

Juros podem subir ainda mais
Além da redução da taxa Selic que hoje está em 13,25%, uma das mais altas do mundo, os atos convocados são um protesto à possibilidade de os juros subirem ainda mais, chegando a 15% até o final do ano.
A data para os atos foi escolhida por ser à véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que deve definir a nova taxa de juros hoje. A expectativa do mercado financeiro é que os juros aumentem 1,0%, subindo para 14,25%. Um novo aumento de 1,0% viria no mês de maio. O Copom se reúne a cada 45 dias.