Empresas planejam pedir reembolso de tarifas de Trump, mas enfrentarão longa batalha
Processo deve ser demorado e politicamente delicado para quem pretender reaver dinheiro
Para empresas do mundo todo, o último ano foi marcado pela ameaça em constante mudança das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Em 20 de fevereiro, o cenário mudou mais uma vez —desta vez a favor delas. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as taxas de importação impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês).
Inclui as tarifas “recíprocas” de Trump, bem como as taxas aplicadas ao Canadá, China e México por supostamente auxiliarem o contrabando de fentanil para os Estados Unidos. Agora as empresas querem seu dinheiro de volta. O banco Goldman Sachs estima que o valor total pago sob as tarifas da IEEPA seja de cerca de US$ 180 bilhões (R$ 930,09 bilhões), equivalente a aproximadamente 5% dos lucros que as empresas geraram nos Estados Unidos no ano passado.
Os investidores, no entanto, parecem não estar convencidos. A decisão da Suprema Corte não fez os preços das ações dispararem para empresas duramente atingidas pelas taxas de importação. Isso se deve em parte ao fato de Trump ter implementado uma nova tarifa global de 10%, que entrou em vigor nesta terça-feira (24). E também porque o processo para solicitar reembolsos será lento e politicamente delicado.
Para muitas empresas, o custo das tarifas foi considerável. Desde abril, o valor que os importadores pagam ao Tesouro a cada mês saltou de cerca de US$ 6 bilhões para US$ 30 bilhões. As três grandes montadoras do país —Ford, GM e Stellantis (cujo maior acionista, Exor, é coproprietário da empresa controladora da The Economist)— também reclamaram que as taxas lhes custaram bilhões de dólares.
Da Folha de São Paulo