Estão sobrando carros: com zero km encalhados, preços devem cair?
O mês de janeiro foi o pior em 17 anos em volume de vendas de carros novos
O primeiro mês de 2022 se consolidou como o pior janeiro em 17 anos quando o assunto é volume de vendas de carros novos. De acordo com dados da Fenabrave (Federação dos Distribuidores de Veículos), houve uma queda de 39,75% nas vendas de automóveis e comerciais leves em relação a dezembro. O resultado leva o consumidor a se questionar: já que os carros estão encalhados, será que os preços vão baixar?
Cassio Pagliarini, consultor automotivo, afirma que não vê a tabela de preço dos carros baixando oficialmente, mas se a situação continuar como está, março pode ser um mês de descontos e incentivos de vendas. Pagliarini vê o momento com preocupação, já que, para ele, a queda nas vendas não reflete apenas problemas externos, mas também a falta de interesse do consumidor.
Para o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Jr., os resultados não refletem, necessariamente, que o brasileiro não quer ou não pode comprar carro, mas diversos motivos que convergiram no mês de janeiro. “O resultado é conjuntural e acontece, principalmente, em função dos baixos estoques das concessionárias em dezembro, da persistente falta de produtos e da sazonalidade do período. Além desses fatores, a alta nas taxas de juros restringiu a aprovação de crédito para financiamentos”, explica o presidente da entidade.
Para Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, a única forma de fazer o preço do veículo baixar é o Brasil passar por mudanças estruturais. “Para trazer o consumidor que tem interesse em comprar um carro zero novamente para o mercado, estamos lutando por uma reforma tributária mais moderna e parecida com países desenvolvidos. O imposto representa entre 40% e 50% do valor de um carro, a média entre os países desenvolvidos é de 20%. Atualmente, o imposto tira do consumidor a possibilidade de comprar um carro”, opina o executivo.
Do UOL