Fábrica da Argentina inspira Toyota do Brasil

Unidade instalada em Zárate exporta 80% da produção

Há 23 anos, a Toyota construiu na Argentina uma fábrica que se transformou numa base de exportação. Somente neste ano, 80% dos carros ali produzidos seguiram para 23 países, incluindo toda a América Latina. Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil sonha em replicar no Brasil um modelo de produção como esse. Mas, uma série de percalços que envolvem custo de produção fazem que por aqui a exportação não passe dos 20%.

Ele não espera que as fábricas de veículos em Indaiatuba e Sorocaba (SP) alcancem volumes tão elevados quanto o da unidade argentina. Exportar de 30% a 40% já o contentariam. “Nosso índice de nacionalização de peças no Brasil gira em torno de 60% a 70%. Para fechar a conta precisamos exportar ao menos 30%”, afirma. Para ele, a competitividade da indústria no Brasil ainda depende das reformas estruturais, principalmente a tributária. Ele diz que os custos na Argentina, principalmente trabalhistas, são mais baixos.

Chang queixa-se, também, da prorrogação dos incentivos fiscais nas regiões Norte e Nordeste, onde estão empresas concorrentes. “No começo é necessário ter incentivos (nessas regiões). Mas é preciso respeitar o tempo de duração deles. O jogo não pode mudar”, diz. Chang afirma que também enfrenta dificuldades para explicar à matriz, no Japão, por que a companhia ainda não recebeu os créditos de ICMS que acumulou em São Paulo.

Desde o ano passado, as montadoras se queixam de não receber créditos tributários, que ficam retidos nos cofres públicos em as compras de componentes para veículos exportados. Segundo Chang, somente a Toyota tem R$ 1,2 bilhão para receber. A montadora mantém o plano de investir R$ 1 bilhão num novo carro que será produzido em Sorocaba (SP) em 2021 e sobre o qual Chang mantém segredo. Há quem aposte, no mercado, que o modelo pode ser o segundo híbrido da marca produzido no Brasil.

Do Valor Econômico