Formada em Cuba, filha de metalúrgico volta para o Mais Médicos

Rafael com a médica recém-formada, Ariane, e o pai Geraldo, trabalhador na Ford
“Vou onde precisarem de mim”, afirma Ariane
Com o sonho de ser médica desde 11 anos de idade, Ariane Clara Marques dos Santos está voltando realizada de Cuba para o Brasil.
Filha do companheiro Geraldo Magela dos Santos, da manutenção da pintura na Ford, em São Bernardo, ela é a primeira médica formada na família do metalúrgico.
“A mensalidade em um curso de medicina no Brasil está em torno de R$ 3 mil e eu não tinha como bancar”, afirmou Geraldo.
Ele relembrou as dificuldades de ter a filha estudando longe, mas não esconde o orgulho pela conquista de Ariane.
“O mais difícil é a saudade. No começo a comunicação era ruim, mas depois melhorou. Agora a família está em festa”, comemorou.
Ariane regressou de Cuba no dia 18 de julho passado, como médica generalista diplomada pela Escola Latinoamericana de Medicina, a Elam, após seis anos e meio de estudos na ilha.
“Vou me inscrever no Programa Mais Médicos. Quero ajudar com o que aprendi e começar a trabalhar para quem precisa”, contou Ariane.
Ela disse que ainda não pensou onde quer trabalhar, mas garante, “onde precisarem de mim, eu vou”.
A médica elogiou o programa do governo federal e a iniciativa de levar profissionais da área para regiões carentes do País.
“Achei maravilhoso. Existiam pessoas no Brasil que nunca tinham visto um médico”, lembrou.
Ariane relatou a relação humanizada entre os médicos e seus pacientes em Cuba e a responsabilidade de todos da equipe com a vida.
“Conhecemos todos pelo nome e se acontece alguma morte, todos temos que responder por isso, temos esse compromisso social”.
Com ela, se formaram 362 médicos brasileiros pela Elam.
Programa chega a mais de 50 milhões de brasileiros

Wagnão recepciona cubanos do Mais Médicos
Em um ano de existência, o Programa Mais Médicos, criado pelo então ministro Alexandre Padilha, tem muito para comemorar.
No período foram contratados cerca de 15 mil médicos (11,4 mil deles cubanos) e distribuídos em 3.819 municípios, para atuar em áreas carentes do Brasil e atender uma população de mais de 50 milhões de pessoas.
Quando foi lançado pelo governo federal, em 8 de julho de 2013, o programa sofreu várias críticas da elite brasileira.
Em novembro do ano passado, os médicos cubanos recém-chegados ao ABC, visitaram o Sindicato e receberam as boas vindas.
“Esse intercâmbio Cuba-Brasil fortalece a solidariedade entre a classe trabalhadora e, por isso, tem o nosso total apoio”, afirmou na ocasião o secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão.
O programa prevê ainda a criação de 11,5 mil vagas em cursos de graduação de medicina até 2017.
Da Redação