Fortalecimento da cadeia de autopeças pode criar milhares de empregos

Criação do APL do setor reúne Sindicato, prefeitura e empresários para fortalecer a cadeia produtiva e gerar novos postos de trabalho na região. Enquanto isso, governo do Estado toma direção contrária


Na foto, o secretário adjunto da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Turismo de São Bernardo, Carlos Alberto Gonçalves; o titular da Pasta, Jefferson José da Conceição, e o presidente do Sindicato, Rafael Marques. Foto: Paulo de Souza / SMABC

A criação do Arranjo Produtivo Local, o APL, de Autopeças, pode fortalecer o setor e gerar milhares de empregos na região.

O debate para viabilizar o APL começou nesta semana entre o Sindicato, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo e empresários.

O objetivo é preparar as empresas, de forma organizada, para que elas possam receber os benefícios do novo Regime Automotivo, o Inovar-Auto e com isso gerar novos postos de trabalho.

“No ano passado, o Brasil importou R$ 32,6 bilhões em peças, que poderiam estar sendo produzidas no País e criando empregos aqui”, avaliou o presidente do Sindicato, Rafael Marques.

O setor de autopeças é o segundo que mais emprega na base, perdendo apenas para as montadoras.

Comitês
O presidente lembrou que durante a última reunião da diretoria plena do Sindicato, realizada dia 25 de fevereiro, os Comitês Sindicais foram convocados para ajudar neste processo.

“Estamos falando de milhares de trabalhadores a mais no ABC e por isso precisamos mapear a entrada de peças importadas nas fábricas”, destacou Rafael.

E acrescentou, “a qualificação profissional também é um ponto importante neste debate”.   

Para ele, é necessário enfrentar esses desafios de maneira conjunta, com a participação dos trabalhadores, dos empresários e do poder público.

Governo de São Paulo exclui trabalhadores
Na contramão do esforço que é feito de forma conjunta para o desenvolvimento do Brasil, o governo do Estado de São Paulo anunciou a criação de um conselho de competitividade paulista, sem a participação dos trabalhadores ou da sociedade.

No conselho estão apenas representantes do próprio governo e empresários escolhidos por Alckmin debaterão políticas de incentivos.

O presidente do Sindicato, Rafael Marques, criticou a forma autoritária de instalação do conselho paulista.

“Não existe política pública de desenvolvimento que merece esse nome se exclui os trabalhadores, que são parte essencial no processo”, afirmou.

O que é um APL?
Os APLs – Arranjos Produtivos Locais – são aglomerações de empresas com a mesma especialização produtiva e que se localizam em um mesmo espaço geográfico.

As empresas dos APLs mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si, contando também com apoio de instituições locais como sindicatos, governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.

Participar de um APL fortalece as empresas, pois juntas formam um grupo articulado e importante para a sua região, podendo organizar compras diretas sem intermediários, e, portanto, negociar melhores preços. Além de obter financiamentos com taxas de juros mais atrativas no mercado.  

Da Redação