Futebol e política: uma história de quase um século

Beneficiado pela difusão do rádio, Getúlio Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945), foi o primeiro político brasileiro a incorporar o futebol como instrumento de exaltação nacional com a Copa de 1938 ocorrida na França, momento que foi o ponto de virada do futebol como um dos símbolos da identidade nacional brasileira.

Foto: Divulgação

A Copa de 1950 realizada no Brasil mostrou a força do magnetismo que o futebol exercia sobre a população. Em 1958, o presidente Juscelino Kubitschek (1956-1961) capitalizou a conquista da Copa do Mundo exaltando o Brasil como país do futuro e a vitória da seleção como símbolo de uma nova era.

Um dos momentos de maior instrumentalização política do futebol foi no período da ditadura militar (1964-1982), após a derrota da Copa de 1966. A Copa do México foi a primeira a ser transmitida ao vivo pela televisão no Brasil. A euforia da conquista do tricampeonato mostrou-se útil aos militares para popularizar a ditadura e minimizar as denúncias de desaparecimentos, torturas e pouca liberdade de expressão que ocorriam no país.

O contraponto à ditadura foi a “democracia corintiana” (1982-1984), liderada pelos jogadores Sócrates, Casagrande, Zenon e Wladimir, que além de democratizar as decisões internas do clube, tiveram um papel de destaque nos acontecimentos políticos do país, como o apoio à campanha das “Diretas-Já”.

A política continua presente na atual Copa do Mundo incluindo as críticas de violação de direitos humanos ao próprio governo do Qatar, o país-sede. Na nossa seleção, as posições de alguns jogadores em relação às últimas eleições têm gerado muita polêmica na imprensa. Apesar de se propagar que futebol e política não deveriam se misturar, tanto no Brasil, como no mundo, essa mistura parece estar longe do fim.

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