G.9 e G.10: Sem proposta, começou a greve

"Não vamos esperar"

Em assembléia realizada na Sede na última sexta-feira, os metalúrgicos decretaram por unanimidade o início de greve nas empresas do Grupo 9 e do Grupo 10.

A decisão foi tomada logo após o presidente do Sindicato, José Lopez Feijóo, recordar que durante toda a semana os companheiros fizeram inúmeras manifestações nas empresas dos dois setores, alertando os patrões que as paralisações iriam ocorrer se eles não apresentassem uma proposta.

Os grupos patronais conhecem a pauta de reivindicações, que é a mesma já aprovada para o pessoal nas montadoras e nas auto-peças: reposição integral da inflação, aumento real, limite de horas extras, direito dos trabalhadores fiscalizarem as empresas terceiriza-das e mudança da data-base.

“Não resta alternativa aos trabalhadores. Não vamos esperar até novembro. Fábrica que não tem acordo e não procurou o Sindicato para negociar, é greve”, propôs Feijóo à assembléia, que aprovou imediatamente e aplaudiu a decisão. Feijóo destacou que as portas do Sindicato estão abertas para os patrões que quiserem negociar. Mas deixou claro que os metalúrgicos do ABC insistem em mudar a data-base para 1º de setembro. “As empresas que façam propostas
rapidamente e não nos enrolem até novembro”, concluiu Feijóo.

O presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT), Adi dos Santos Lima, destacou que a pauta foi entregue em julho a todos os grupos patronais.

“Passamos o mês de agosto negociando com as montadoras e com as autopeças, até fecharmos bons acordos”, contou Adi.

“Já os representantes do Grupo 9 marcaram uma reunião conosco na quinta-feira, para falar na lata: não vamos mudar a data-base, o reajuste que oferecemos é zero e só voltamos a conversar em novembro”, prosseguiu o presidente da FEM.

Em meio às vaias da assembléia ao comportamento dos empresários, ele concluiu: “Respondemos ao pessoal do Grupo 9 que não iríamos esperar”, afirmou.

O comportamento dos patrões do Grupo 10 foi ainda mais patético, segundo Adi, pois nem reunião marcaram.

“A resposta dos trabalhadores é a mesma: greve para ver se eles saem da toca”, declarou Adi.