Governo quer inviabilizar política industrial por acordo coma União Europeia

 

O Brasil corre o risco de ficar sem uma política automotiva devido à decisão de Temer de só assinar o novo Regime Automotivo, o Rota 2030, após o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

“O governo pode inviabilizar a política industrial brasileira ao condicionar o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia”, afirmou o diretor executivo do Sindicato responsável por políticas industriais, Wellington Messias Damasceno.

Com a medida, haverá a abertura do comércio de todos os produtos entre os dois blocos econômicos. “Um acordo deste tamanho, que abre mão da indústria nacional, não pode ser feito às pressas sem nenhuma discussão com os diversos setores da sociedade, trabalhadores, associações de empresários e universidades”, criticou.

O diretor ressaltou que o acordo vai beneficiar apenas a indústria na Europa e o agronegócio brasileiro de ‘commodities’, com produtos que não passam por processo industrial e tem baixo valor agregado. O Brasil é grande produtor e exportador de soja, café e algodão, por exemplo.

“Nós defendemos a inteligência nacional, não o retorno ao período de um País agrário sem indústrias. É o que pode acontecer com a abertura ampla e irrestrita do mercado. As matrizes produzem lá e a tendência é de nova invasão de importados aqui”, explicou.

“A falta de compromisso do governo de finalizar o Rota 2030 até dezembro pode ter sérios impactos nas políticas de futuro, como a produção do carro elétrico”, prosseguiu.

O atual Inovar-Auto termina em 31 de dezembro. Hoje será realizada reunião, em Brasília, com apresentação dos resultados dos grupos de trabalho do Rota 2030. Após cobrança ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o MDIC, o Sindicato passou a integrar os debates e levar o olhar do trabalhador sobre a política industrial.

“O Inovar-Auto trouxe investimentos em pesquisa, desenvolvimento e tecnologia para o Brasil. Sem uma política industrial, o que perderemos de imediato será a inteligência do carro, as áreas técnicas e de desenvolvimento no Brasil”, alertou. “São áreas com melhores empregos e salários. Os investimentos na indústria nacional, sem nenhuma salvaguarda ao setor, podem acabar e representar o fechamento de fábricas”, disse.

O atual Regime Automotivo teve início em 2013 e incentivou empresas a se instalarem no Brasil. As novas plantas no País registraram mais de R$ 16 bilhões em investimentos e mais de 54 mil empregos diretos e indiretos.

“São decisões que podem parecer distantes do dia a dia do trabalhador, mas que afetam diretamente a indústria, a produção nacional, os empregos e a renda. Temos que estar atentos”, defendeu.

A Organização Mundial do Comércio, a OMC, condenou programas de incentivo à indústria no Brasil, entre eles o Regime Automotivo. “Os países que reclamaram são sedes de montadoras, na União Europeia e no Japão, com interesses de que o Brasil não produza mais veículos e consuma os produtos feitos nas matrizes, já que as taxas de importação cairão com o acordo”, concluiu.

Da redação