Greve de 1980 e os novos personagens que não saíram mais de cena

Há 40 anos, em plena ditadura militar, o ministro do Trabalho Murilo Macedo decretava mais uma vez intervenção no Sindicato e o afastamento dos líderes sindicais.

Há 40 anos, em plena ditadura militar, o ministro do Trabalho Murilo Macedo decretava mais uma vez intervenção no Sindicato e o afastamento dos líderes sindicais. Dois dias depois, Lula e parte da direção foram presos, permanecendo detidos por 31 dias.

A intervenção ocorreu no dia 17 de abril, 17º dia da greve dos metalúrgicos do ABC, iniciada no dia 1º abril de 1980, que reivindicava aumento salarial e redução da jornada de trabalho. O movimento paredista tornou-se um dos momentos de inflexão no processo de transição democrática no Brasil. A democracia no Brasil nunca mais seria a mesma depois da greve, “quando novos personagens entraram em cena”, na feliz expressão do sociólogo Eder Sader.   

Um dos momentos de ápice político da greve foi a comemoração do 1º de maio de 1980, sob forte tensão no Largo da Matriz de São Bernardo, que estava cercado por 8 mil policiais. Uma passeata calculada em 100 mil pessoas dirigiu-se ao Estádio de Vila Euclides que foi reconquistado pelos trabalhadores e, não sem motivo, foi rebatizado de Estádio Primeiro de Maio. Nas palavras de Lula, que estava impedido de participar do ato: “Centenas de milhares de trabalhadores conseguiram produzir talvez um dos mais bonitos espetáculos de resistência democrática da classe trabalhadora brasileira”.

Depois da greve de 1980, a transição democrática seguiu outro caminho e deixou de ser “lenta, gradual e segura”, como desejavam os militares e seus aliados civis, e transbordou para a sociedade civil organizada no campo e na cidade (os “novos personagens” entravam em cena). O sindicalismo combativo, simbolizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema (denominação à época do SMABC), tornou-se um ator de primeira grandeza no processo de redemocratização do país e foi um dos polos aglutinadores da oposição e da resistência à ditadura militar.

Passados 40 anos, a história do nosso Sindicato se confunde com a trajetória de resistência e luta da classe trabalhadora mais combativa do país que é capaz de renovar-se diante dos novos desafios.

Em tempos de arbítrio e violação de direitos, seguindo sua tradição e sua história, o SMABC mantém a mesma combatividade e protagonismo político na defesa da democracia e da justiça social, reconhecidos dentro e fora do país.

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