Greve de 1980: máquinas paradas e mudanças de rumos

No dia 30 de março, diante da intransigência patronal, os metalúrgicos do ABC decidiram pela paralisação do trabalho a partir do dia 1º de abril. Reivindicavam o aumento dos salários, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salários, o reconhecimento do delegado sindical, o pagamento adicional de 100% para as horas extras, entre outras pautas.

Foto: Divulgação

Cientes de que a greve poderia ser uma possibilidade real, os metalúrgicos do ABC trataram de prepará-la cuidadosamente durante vários meses: além das reuniões por fábricas, também foram organizadas reuniões por bairros. Além da Direção com 24 membros, havia um Comando de Greve com 16 membros e uma Comissão de Salários com mais de 400 membros, representando as principais fábricas da categoria. Fora dessa estrutura organizativa, podia-se contar com o apoio de mais de dois mil militantes.

O Sindicato sofreu intervenção 17 dias depois da decretação da greve e dois dias depois Lula e a diretoria foram presos, ficando detidos por 31 dias. Dessa forma, a principal liderança da greve ficou ausente das comemorações do 1º de Maio que reuniu mais de 100 mil pessoas e se converteu num dos atos políticos mais importantes contra a ditadura militar.

Depois de 41 dias de muita tensão, os metalúrgicos do ABC voltaram ao trabalho no dia 12 de maio sem obter ganhos econômicos reivindicados. Porém, poucas greves tiveram a capacidade de combinar tão intensamente “formas de pressão” e “formas de expressão” da classe trabalhadora naquela conjuntura política.

Os metalúrgicos e as metalúrgicas, que votaram a favor da greve nas assembleias da categoria em 1980, não imaginavam a dimensão daquele gesto para os rumos do movimento sindical brasileiro e da própria democracia em nosso país.

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