Histórias de Marcos e Marias

Maria conheceu Marco quando fazia seu mestrado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de SP. Ele, também estudante, cursava Economia. Apaixonaram-se, e começaram a namorar. Era o ano de 1974…

Foto: Divulgação

Nasce aí uma relação solidária e gentil, que irá culminar em seu casamento dois anos depois. Eles têm então a primeira filha e se mudam para Fortaleza.

Mas a história mudou. Muito.

Intolerância, tensão e violência passaram a ser rotina. As ameaças e o medo crescente foram tomando espaço e devastando a história construída até ali.

Em uma noite de 1983, Marco chega em casa, e enquanto Maria dormia, atirou em suas costas, e a deixou paraplégica.

Foi uma primeira tentativa de matá-la. Foram muitos anos para que o crime fosse reconhecido.

Esta história não é única. É pelo contrário exemplar, para representar um drama que acontece no cotidiano de muitas mulheres. Algumas delas não chegam a sofrer a violência física, mas vivem sob a ameaça permanente.

A Lei Maria da Penha, nasce a partir desta história, para evitar que novas experiências como esta aconteçam. Instituída para inibir a violência física, patrimonial, sexual e moral contra as mulheres, completou 15 anos agora em agosto, é considerada uma das legislações mais sofisticadas para o enfrentamento a este tipo de delito. E vem sendo atualizada, inclui agora o crime de violência psicológica contra a mulher no Código Penal.

A pandemia de Covid-19 agravou a violência contra a mulher. Cresceram as taxas de feminicídio. Em 2020 tivemos cerca de 120 mil casos de agressões por violência doméstica.

Como toda lei, porém, para ter vida é preciso que a conheçamos e como sociedade, a façamos valer.

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