Irmã Dorothy Stang: Morte em terra sem lei

Depois de velado na cidade de Altamira, no Pará, o corpo da missionária norte-americana Dorothy Stang foi sepultado ontem no Centro de Formação São Rafael, em Anapu, Pará, conforme era seu desejo.

Ela foi assassinada por dois pistoleiros no sábado passado, no Assentamento Esperança, em Anapu, e as suspeitas sobre o mando do crime recaem sobre o fazendeiro Vitalmiro de Moura.

A Justiça decretou a sua prisão, e também de dois pistoleiros e outro que seria o intermediário, mas até agora não conseguiu prender algum deles.

A freira, de 74 anos, estava há 30 na região amazônica defendendo os trabalhadores rurais na disputa pela posse das terras tomadas pelas madeireiras e fazendeiros.

Desde o ano passado, Dorothy lutava para expulsar grileiros de glebas onde são desenvolvidos, com verba do Incra, os chamados Projetos de Desenvolvimento Sustentado.

Grilagem e pistolagem

Os Projetos de Desenvolvimento Sustentado baseiam-se na agricultura familiar, com um tipo de exploração de baixo impacto sobre a floresta, mas são combatidos por madeireiros, fazendeiros e grileiros de terras públicas.

Desde que os projetos foram aprovados pelo governo, um clima de guerra se instalou na região central e no sudoeste do Pará, ao lado da Rodovia Transamazônica.

Pistoleiros a mando de grileiros e de empresas que extraem ilegalmente a madeira impedem inclusive o acesso de técnicos do Incra para a medição das glebas.

Mais um

O ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paraupebas, no Pará, Daniel Soares da Costa Filho foi encontrado morto na manhã de ontem.

Ele estava a caminho de sua propriedade rural quando foi assassinado com seis tiros. Daniel era mais um dos ameaçados por grileiros e madeireiros do Pará.