Menos AAS, mais prevenção
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Para prevenir o risco, a ingestão a cada três dias de uma dose de ácido acetilsalicílico, o AAS, pode ser tão eficiente na prevenção de infarto, AVC (Acidente Vascular Cerebral) e doença vascular periférica quanto consumir o medicamento diariamente. Além disso, com menos problemas gastrointestinais.
O ácido acetilsalicílico inibe a ação da enzima cicloxigenase (COX) que, nas plaquetas (sangue), diminui a produção de tromboxano, um fator que favorece a agregação plaquetária (parte do processo de cicatrização e trombose, por exemplo). Por essa razão, no popular, costuma-se dizer que o AAS “afina” o sangue, ou seja, diminui a probabilidade de formação de coágulos que podem obstruir o fluxo sanguíneo.
Por outro lado, no estômago, a inibição dessa mesma enzima diminui a produção de prostaglandinas, que são substâncias lipídicas que protegem o estômago e o intestino.
Um ensaio clínico realizado na Universidade de São Paulo usou a dose de 81 mg de AAS em 24 voluntários sadios que foram divididos em dois grupos. Metade recebeu AAS todos os dias durante um mês. Os demais receberam o fármaco a cada três dias e, no intervalo, apenas placebo.
No grupo que tomou AAS todos os dias, houve uma redução de 50% na síntese de PGE2 (prostaglandinas tipo 2), enquanto nos voluntários que tomaram a cada três dias não foi observada diferença em relação aos níveis basais. Por outro lado, em ambos os grupos, a inibição de tromboxano foi superior a 95% e o resultado no teste de agregação plaquetária foi equivalente.
Os dados permitem concluir que o uso de AAS a cada 72 horas é tão eficaz – e mais seguro – quanto seu uso diário. Essa descoberta abre possibilidade de adotar o fármaco também na prevenção primária de eventos cardiovasculares. Desta forma, pode-se tomar 1/3 do medicamento com melhora dos efeitos gastrointestinais. Consulte seu médico.
Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente