Mercado interno positivo: Anfavea prevê bom ano para o Brasil

O Presidente da entidade, Jackson Schneider, acredita que a clara compreensão pelo governo do que representa o setor e toda a cadeia contribuiu para que fossem tomadas as medidas corretas que responderam com rapidez às necessidades do setor

A expectativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para o mercado interno de veículos em 2009 é muito positiva, mesmo diante dos índices de queda nos vários segmentos da indústria, disse o presidente da entidade, Jackson Schneider, durante o Seminário Revisão das Perspectivas 2009.

As estimativas apresentadas pela entidade no início de abril, retomadas por ele no painel, revelam queda de 3,9% nas vendas de automóveis na comparação com o ano passado. O índice, segundo Schneider, já contabiliza o segundo semestre sem a redução do IPI.

A retração do mercado brasileiro, pelo menos no primeiro trimestre, é menor se comparada com a de outros países. As vendas caíram 3,1% no período sobre o mesmo do ano passado, enquanto que nos Estados Unidos houve redução de 38,4%, no Reino Unido de 31,6% e no Japão as vendas foram 23,7% menores. Ele usou índices para dizer que mesmo menor o mercado brasileiro sente menos os efeitos da crise: “Comparado com o que acontece no mundo este é um bom índice para nós”.

Schneider lembrou que 2008 foi o melhor ano de vendas, apesar das quedas representativas no quarto trimestre, resultado da restrição de crédito imposta pelo cenário internacional de crise financeira.

“A projeção de 4% de queda para 2009 não é menor porque o último trimestre do ano passado foi muito ruim.”

Entretanto espera-se das exportações queda de 32% para 2009 sobre o volume embarcado em 2008. Ligadas diretamente às exportações estão as fortes retrações dos mercados tradicionais de produtos brasileiros, como a Argentina, para a qual o Brasil exportou 54,8% a menos no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado: “Os mercados internos do mundo estão derretendo, e a nossa dificuldade de exportar torna-se mais aparente”.

Schneider informou que a indústria representa 24% do PIB nacional, quase um quarto do total das riquezas geradas no País, portanto. A clara compreensão pelo governo do que representa o setor e toda a cadeia, que segundo ele, chega a 200 mil empresas, contribuiu para que fossem tomadas as medidas já conhecidas: a injeção de crédito para o consumidor final e a redução do IPI, medidas que responderam com rapidez às necessidades do setor.

A entidade espera que o pânico da crise no País já tenha passado e acredita que o Brasil tem nas mãos um desafio – que é a manutenção do mercado interno, em especial para o segmento de caminhões. Outro desafio, mas já fora de seu alcance, é a retomada em curto prazo dos mercados exportadores, que segundo Schneider são difíceis de alinhar no curto prazo.

“Lá fora vai depender fundamentalmente do ajuste rápido no sistema de crédito, que ele tenha condições de voltar a emprestar e a natural e difícil recuperação da Europa, que é uma questão mais estrutural, dadas as condições econômicas de seus países.”

Do AutoData