Mesmo com pandemia, remessa de lucros do setor automotivo é a maior em oito anos

Empresas do segmento enviaram às suas matrizes mais de US$ 800 milhões ao longo de 2021

As remessas às matrizes de lucros e dividendos realizadas pelas empresas do setor automotivo, dentre montadoras, sistemistas e autopeças instaladas no país, voltaram a crescer em 2021, mesmo em um ano duro de pandemia de Covid-19. No período, foram enviados um total de US$ 857 milhões, 37% a mais do que em 2020, apontam dados do Banco Central. É o maior montante dos últimos oito anos.

Algumas montadoras reportaram retorno das suas operações locais à lucratividade nos últimos anos, como Volkswagen e Stellantis, assim como sistemistas passaram a faturar mais por meio do aumento das demandas nas exportações. Por outro lado, a elevação das remessas de lucros também pode ser explicada pela mudança do perfil de veículos que passaram a ser vendidos no Brasil.

“No ano passado, houve fechamento de unidades, paralisações, redução de turnos. Tudo isso aumentou o custo produtivo e, por consequência, reduziu a rentabilidade. O que está acontecendo é efeito do aumento do tíquete médio dos veículos vendidos aqui, que estão posicionados em segmentos que oferecem maiores margens”, disse Fernando Trujillo, consultor para o setor automotivo da Standard & Poor’s Global Mobility.

De acordo com os dados do BC, o setor automotivo ocupa a sexta posição dentre os setores que mais enviaram lucros às casas matrizes, ficando atrás da indústria de produtos químicos (US$ 1,9 bilhão), metalurgia (US$ 1,8 bi), equipamentos eletrônicos (US$ 1,3 bi), bebidas (US$ 1,2 bi) e alimentos (US$ 1 bi).

Do Automotive Business