Metalúrgicas do ABC tomam ruas de São Paulo contra feminicídio e pela igualdade no trabalho
Ato integrou mobilização nacional para denunciar violência de gênero, exigir políticas de proteção e cobrar representação nos espaços de poder
- No domingo, 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, o Sindicato integrou ato na Avenida Paulista para denunciar violência de gênero.
- Uma intervenção contundente marcou a mobilização: dezenas de sapatos femininos foram enfileirados, simbolizando as vidas ceifadas pelo feminicídio.
- O cenário reforça dados alarmantes do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, uma medida protetiva é concedida a cada quatro minutos no estado.

Nem o temporal que atingiu a capital paulista no último domingo, 8 de março, foi capaz de desmobilizar o compromisso feminino com a vida e a dignidade. Munidas de uma determinação inabalável, centenas de manifestantes ocuparam a Avenida Paulista no Dia Internacional da Mulher. O ato, que contou com a presença do Sindicato, integrou uma mobilização nacional para denunciar a violência de gênero, exigir orçamento público para políticas de proteção e cobrar representatividade nos espaços de poder.
A caminhada seguiu em direção à Praça Roosevelt, entoando cânticos que pediam passagem para as transformações sociais necessárias. Devido à intensidade da chuva, parte do coletivo concentrou-se no vão livre do Masp, transformando o espaço em um fórum de resistência.
Uma intervenção contundente marcou o asfalto: dezenas de sapatos femininos foram enfileirados, simbolizando as vidas ceifadas pelo feminicídio. O cenário reforça dados alarmantes do Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, uma medida protetiva — ordem judicial de urgência prevista pela Lei Maria da Penha — é concedida a cada quatro minutos no estado.
Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram 21.440 decisões autorizadas. Em uma década, o uso desse recurso saltou de 10.804, em 2015, para 118.258 em 2025, um crescimento de 994%. Embora o estado seja pioneiro no monitoramento por tornozeleiras eletrônicas, o uso do equipamento ainda é baixo: dos 1.250 dispositivos disponíveis, apenas 189 estão em operação, dependendo de autorização judicial.

Vozes nas ruas
Para Cláudia Alexandra Rodrigues, CSE (Comitê Sindical de Empresa) na Apis Delta, em Diadema, a pauta feminina é indissociável da trabalhista. “Neste 8 de março, nossa voz se ergueu contra o aumento da violência, mas também por justiça no ambiente de trabalho. Reivindicamos igualdade salarial entre homens e mulheres e o fim da escala 6×1, que sobrecarrega duplamente a mulher trabalhadora. Estamos em busca de um mundo onde nossa existência seja respeitada e nossa jornada digna”, pontuou.
Andrea Sousa, a Nega, diretora executiva do Sindicato, encerrou reforçando a simbologia da permanência nas ruas. “Domingo foi um dia em que nós, mulheres metalúrgicas, estivemos na Paulista. E é nas ruas que conquistamos direitos. Não podemos aceitar que altas taxas de feminicídio sejam normalizadas”.
“Enquanto uma mulher sofrer agressão, estaremos mobilizadas. Acreditamos que ainda teremos um mundo igualitário, sem racismo e com justiça. Por isso, a agenda continua: estaremos em Diadema no dia 14 e em São Bernardo no dia 19, trazendo os homens para este debate pelo fim da violência. Viva as mulheres vivas! Parem de nos matar”, concluiu.
