Metalúrgicos do ABC conquistam 6,4% de reajuste salarial e renovação das cláusulas sociais por dois anos
Com mobilização da categoria, o G8.3 chegou à proposta de reposição da inflação do período mais aumento real. Luta agora é para chegar à mesma proposta nas demais bancadas patronais

Em Assembleia Geral de Campanha Salarial realizada na noite de ontem, na Regional Diadema, os Metalúrgicos do ABC aprovaram a proposta negociada com a bancada patronal do G8.3 (Simefre, Siamfesp e Sinafer) de 6,4% de reajuste salarial e renovação das cláusulas sociais por dois anos. O acordo conta com a reposição da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no período mais aumento real. A data-base da categoria é 1º setembro.
O presidente do Sindicato, Moisés Selerges, parabenizou a categoria e destacou o efeito da mobilização para pressionar os patrões. “Só chegamos a essa proposta em um grupo por conta da mobilização dos trabalhadores e dos comitês sindicais. Se não tiver pressão, o patrão não se mexe”.

Moisés lembrou o bom momento que a economia brasileira vive para reforçar que a choradeira patronal não faz sentido. “Precisa acabar essa choradeira dos patrões todo ano quando vamos negociar o aumento do trabalhador e da trabalhadora. O Brasil evoluiu muito nos últimos anos em vários aspectos. Os patrões precisam entender que o trabalhador não é idiota, o trabalhador tem informação. Eu vivi campanha salarial em período de recessão brava, quando as fábricas não produziam, davam férias coletivas, era terra arrasada, taxa de desemprego gigante. Naquela época, a pauta principal era a manutenção dos empregos. Mas hoje sabemos que a produção está aumentando, as empresas estão contratando. Por isso essa choradeira dos patrões não cabe mais”.

O presidente da FEM-CUT/SP (Federação Estadual dos Metalúrgicos), Erick Silva, enalteceu a luta da categoria. “Vocês não têm ideia da diferença que faz a mobilização da companheirada nas fábricas. Depois da entrega da pauta, o patronal começa com conversa mole, chorando miséria, aí vem essa história do tarifaço do Trump. Mas na hora que o trabalhador começa parar na porta da fábrica, atrasar a entrada de turno, a conversa muda de figura completamente. É aí que os caras entendem que a coisa é séria. Assim conseguimos formular a proposta e construir uma referência importante para os demais sindicatos.”
Encaminhamento
A luta agora é para conquistar o mesmo reajuste nos demais grupos. A categoria definiu que os sindicatos patronais que não apresentarem as mesmas condições receberão avisos de greve na segunda-feira, 1º de setembro. A assembleia também autorizou a Federação a fechar acordos nos demais grupos que chegarem à mesma proposta. Também foi aprovada a contribuição negocial.
Fim do piso de entrada
A negociação da FEM-CUT/SP também teve uma outra vitória. O acordo contemplou o fim do piso de entrada a partir de 1º setembro. O piso normativo será reajustado.
Os coordenadores de São Bernardo Jonas Brito; de Diadema, Antonio Claudiano, o Da Lua; e o de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Marcos Paulo Lourenço, o Marquinhos, parabenizaram a companheirada pela conquista e destacaram a importância da organização e disposição de luta durante essa Campanha Salarial.