Metalúrgicos do ABC intensificam luta pela isenção do IR sobre PLR

Sindicato afirma que taxar Participação nos Lucros e Resultados penaliza trabalhador duas vezes

A campanha pela isenção do IR (Imposto de Renda) sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados) ganha novo fôlego na base dos Metalúrgicos do ABC. A categoria, historicamente na vanguarda das conquistas laborais, intensifica a mobilização para sensibilizar o Congresso Nacional e o governo federal sobre o que classifica como uma “correção histórica de rumos”.

Foto: Adonis Guerra

Para o diretor executivo do Sindicato, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, o debate transcende a mera matemática financeira; trata-se de um pilar essencial da justiça tributária. Ele recorda que a luta é indissociável da própria instituição do benefício. “No nosso entendimento, aquilo que é pago pelo lucro gerado não deveria ser tributado”, afirma, destacando que, embora a criação de uma alíquota exclusiva e diferenciada em anos anteriores tenha sido um avanço, ela já não atende aos anseios da classe trabalhadora.

Um dos pontos centrais da crítica sindical reside na disparidade de tratamento entre capital e trabalho. Enquanto empresas gozam de isenções sobre seus lucros, o trabalhador é taxado ao receber sua cota de participação nessa mesma riqueza. Luizão pontua que a PLR não possui natureza salarial: “Ela depende de negociação, acordo coletivo e saúde financeira da empresa. Não é um rendimento fixo”.

Somado a isso, o congelamento da tabela da PLR entre 2013 e 2023 corroeu o poder de compra. Com a falta de atualização, reajustes conquistados nas mesas de negociação acabaram sendo “engolidos” pelo Leão. “O trabalhador que hoje ganha acima de R$ 5 mil já têm desconto do IR no holerite. Manter a cobrança sobre a PLR é penalizar duas vezes quem produz”, reforça o dirigente.

Impacto econômico
A tese defendida pelo Sindicato é que a isenção não gera vácuo financeiro, mas sim um ciclo virtuoso. O montante, ao chegar integralmente às mãos do trabalhador, é injetado diretamente na economia real — no comércio, na reforma da casa ou na compra de bens — gerando arrecadação indireta e “fazendo a economia girar”.

No cenário político, o momento é visto como oportuno. Com discussões sobre o fim da escala 6×1, redução de jornada e justiça tributária em pauta, o ambiente favorece a nossa pauta pelo fim do imposto sobre a PLR.

“O governo federal mostrou-se simpático à nossa reivindicação no ano passado, mas há uma grande jornada para convencimento do Congresso Nacional. Por isso, é necessário que nossa mobilização aumente. Além das conversas nas fábricas, com parlamentares, assembleias, os companheiros e companheiras precisam também, no ambiente digital, inserir essa discussão para que ganhem adeptos e esta se torne uma pauta nacional, e não somente dos metalúrgicos”.

Tributação e luta pela PLR

Anos 80/90: Início das pressões; Mercedes-Benz foi pioneira ao adotar a PLR em 1995.

Ano 2000: A Lei 10.101 regulamentou o benefício no país, consolidando-o nas negociações.

2013: Governo Dilma instituiu isenção para valores até R$ 6 mil.

2023: Após dez anos congelada, governo Lula reajustou tabela do IR sobre a PLR. Alteração foi feita na faixa de isenção da tabela, que passou dos R$ 6.677,55 para R$ 7.407,11, um reajuste de 10,93%, na ocasião.

2025: Desde maio estão isentos pagamentos até R$ 8.214,41. No Congresso Nacional, há vários projetos sobre o tema. Portanto, precisamos pressionar.

Hoje, a categoria luta pela isenção total.

A medida visa garantir justiça tributária, aumentar o poder de compra e estimular a economia nacional através do valor líquido recebido.