Metalúrgicos do ABC no combate à corrupção, em defesa da Petrobras e contra o golpe à democracia

Os metalúrgicos do ABC estarão amanhã, dia 13, na Avenida Paulista, na capital, junto à CUT e demais centrais sindi­cais e movimentos sociais e populares para defender a pauta dos trabalhado­res no Dia Nacional de Luta.

Entre as reivindicações estão a criação do Programa de Proteção ao Emprego, a Renovação da Frota de Caminhões, a Ampliação do Crédito, a correção da tabela do Imposto de Renda, a defesa dos direitos da classe trabalhadora, da Petrobras, da demo­cracia e da Reforma Política.

O secretário-geral do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão (foto), fez uma avaliação dos pontos da pauta para a Tribuna.

Tribuna Metalúrgica – Por que os tra­balhadores voltarão às ruas amanhã?

Wagner Santana – Primeiro porque temos que garantir as nossas conquistas, que estão ameaçadas por medidas que dificultam o acesso aos benefícios como o seguro-desempre­go. Segundo porque os trabalhadores e o Sindicato têm projetos e sugestões para que o Brasil continue a crescer com distribuição de renda e pre­serve os empregos. Terceiro porque a Petrobras é um patrimônio dos brasileiros e, por fim, porque não podemos permitir que a democracia, que conquistamos com muita luta e sangue, esteja ameaçada por quem quer que seja.

TM – Por que os metalúrgicos do ABC junto aos trabalhadores de outras categorias irão defender a Petrobras no Dia Nacional de Luta?

WS – Existem duas questões em jogo que envolvem a Petrobras. Uma é o oportunismo, que usa a corrupção de alguns usurpadores da companhia com o intuito de parali­sar uma empresa que é estratégica para o Brasil e que emprega mais de 80 mil trabalhadores. E a outra é efetivamente o combate à corrupção.

TM – E qual é a avaliação do Sindicato sobre os casos de corrupção na Petro­bras que estão sendo investigados?

WS – Temos uma visão muito clara sobre a corrupção na Petrobras e no Brasil. No caso da empresa, tudo que está sendo denunciado tem que ser apurado e, o que for comprovado de desvios, devolvido aos cofres da Petrobras, e quem participou disso punido rigorosamente pela lei. Não tem conversa. Essa é uma boa oportunidade para, além de mudar essa prática co­mum no Brasil, criar mecanismos que impeçam isso.

TM – E no Brasil?

WS – A corrupção no Brasil é uma doença grave que tem que ser comba­tida. O que estamos assistindo todos os dias nos noticiários de TV é parte deste enfrentamento, que antes não era se­quer investigado. Para desenrolar este novelo é preciso que a sociedade bra­sileira se debruce sobre uma reforma profunda no sistema político do País.

TM – Por que as notícias são apenas ‘parte deste enfrentamento’?

WS – Porque as emissoras de televisão também têm interesses na divulgação dos fatos que estão sen­do apurados. Há uma divulgação seletiva nos casos de corrupção no Brasil. Isso prejudica o processo de combate à corrupção. Por que não temos informações sobre investiga­ções da lista do HSBC, da Siemens, do Metrô, das concessões de rodovias e dos pedágios? Se queremos passar o Brasil a limpo, tem que valer para todo mundo.

TM – Como a Reforma Política pode ajudar no combate à corrupção?

WS – Uma das medidas é a proi­bição de doações de empresas para campanhas eleitorais, que depois cobram contratos com prefeituras e até leis que favoreçam estas empre­sas. É este ponto o início de uma re­lação onde os interesses da sociedade são substituídos pelos interesses do poder econômico. Basta ver que a re­presentação no parlamento nada tem a ver com a sociedade. A influência dos financiadores sobre o processo eleitoral é a raiz da corrupção. Nunca soube de um candidato que tenha sido eleito com dinheiro do próprio bolso.

TM – E por que a democracia está na pauta dos trabalhadores?

WS – Porque está tendo um mo­vimento oportunista, que tem usado a desculpa de enfrentar a corrupção no País para, na verdade, propor um regime autoritário. Vimos esse filme nas vésperas do golpe de 1964, que de­sempregou, prendeu, torturou e matou milhares de trabalhadores. E nós, me­talúrgicos do ABC, temos o orgulho de ter enfrentado esse regime, no final da década de 70, e contribuído para que o Brasil seja um País democrático. Não queremos e não admitimos outro rompimento com a democracia. Golpe nunca mais!

PETROBRAS EM NÚMEROS

LUCRO LÍQUIDO*R$ 23,57 bilhões

PRESENÇA GLOBAL*17 países

PRODUÇÃO DIÁRIA*2 milhões 539 mil barris de óleo por dia

REFINARIAS*15

De 2014 a 2018, estão previstos investimentos da ordem de US$ 220,6 bilhões

Que elevarão a produção de óleo da companhia para o patamar de aproximadamente 4,2 milhões de barris por dia

Em 2002, os investimentos foram de US$ 6,4 bilhões

3 de outubro de 1953 é fundada a Petrobras

86.108 é o número de trabalhadores na estatal

360.180 são prestadores de serviço que atuam hoje na empresa, sendo grande parte deles em obras de expansão da Companhia

*Dados dos resultados do exercício de 2013, atualizado em maio de 2014 | Fonte: Petrobras

 

Da Redação