Metalúrgicos do ABC realizam ato hoje e cobram redução da taxa de juros
Trabalhadores se reúnem hoje, às 9h, em frente à Sede do Sindicato. Na pauta ainda, isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e integral sobre PLR, redução de jornada sem redução salarial e fim do 6x1

Os Metalúrgicos do ABC ocupam hoje a Marechal Deodoro, avenida comercial no centro de São Bernardo, em um grande ato em defesa das pautas da classe trabalhadora. A mobilização chama a atenção do Congresso Nacional para as pautas da classe trabalhadora e engaja toda a sociedade na luta por justiça tributária, melhores condições econômicas e jornadas de trabalho mais dignas. A concentração está marcada para às 9h, em frente à Sede do Sindicato. Entre as principais reivindicações estão a isenção do IR (Imposto de Renda) para salários de até R$ 5 mil e integral sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), a redução da jornada sem corte salarial, o fim da escala de trabalho 6×1 e a revisão da taxa Selic.
Ao longo da semana, a Tribuna destacou como cada uma dessas pautas impacta diretamente a vida dos trabalhadores e reforçou a importância de uma mobilização contínua. Na edição desta sexta-feira, 14, o vice-presidente do Sindicato, Carlos Caramelo, alerta para os efeitos nocivos da Selic em 13,25%, que encarece o crédito para famílias e empresas, prejudicando o crescimento econômico do país.

“A taxa Selic desempenha um papel fundamental no combate à alta da inflação e seu impacto mais amplo está diretamente relacionado a essa função. No entanto, um ponto positivo para o Brasil é que a população tem se engajado ativamente na economia, principalmente por meio da geração de emprego e renda, além dos programas sociais, o que tem fortalecido o setor. Isso tem contribuído para o crescimento do nosso PIB [Produto Interno Bruto]”, afirma o dirigente.
“O Brasil não pode continuar praticando uma das maiores taxas de juros do mundo. É preciso criar condições para que o país tenha mais produção e geração de emprego, para isso é urgente baixar a taxa Selic. O grande desafio é garantir que a Selic atenda também às necessidades da classe trabalhadora, sem se limitar apenas à contenção da inflação. Espera-se, portanto, que essa mudança de perspectiva aconteça de forma equilibrada, levando em consideração tanto o controle da inflação quanto a geração de empregos e o fortalecimento dos programas sociais. A luta da classe trabalhadora não visa prejudicar, mas sim cobrar a responsabilidade do Congresso e o progresso para o país”, completou Caramelo.
Projeções
A taxa básica de juros é o principal instrumento da política monetária brasileira, regulando a inflação e influenciando o desempenho da economia. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central revisa esse índice a cada 45 dias, e a próxima decisão está prevista para os dias 18 e 19 de março. Diante desse cenário, os trabalhadores intensificam sua luta, deixando claro que não aceitarão retrocessos. “A mobilização de hoje é mais do que um protesto: é um chamado para que toda a sociedade se una em defesa de um país mais justo e equilibrado”, explica Caramelo.
As projeções para a taxa Selic em 2025 são regularmente divulgadas pelo Boletim Focus, uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com economistas do mercado financeiro. Atualmente, a expectativa é de que a Selic feche o ano de 2025 em 15%. Essas estimativas consideram diversos fatores, como a cotação do dólar, projetada em R$ 6 para 2025, e a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
