MOVER: nova regra faz elétricos e híbridos “valerem mais” no Brasil

Como a nova regra do governo muda a matemática do mercado automotivo

A nova portaria do Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) altera silenciosamente uma das engrenagens mais importantes do mercado automotivo brasileiro: a forma como o governo passa a calcular a eficiência energética da frota vendida por cada montadora. Não se trata de uma regra sobre o consumo do carro individual, mas de um sistema de contabilidade que redefine o peso regulatório de cada tipo de veículo.

Na prática, a portaria cria uma matemática própria, na qual elétricos, híbridos e híbridos plug-in passam a valer mais do que um carro convencional na planilha oficial de metas. Essa lógica, invisível para o consumidor, tende a influenciar decisões industriais, estratégias de produto e até a permanência ou não de determinados modelos no mercado brasileiro nos próximos anos.

O MOVER não avalia carros isoladamente. O que está em jogo é a média de eficiência energética da frota inteira de cada fabricante ou importador ao longo do ano, considerando tanto o ciclo tradicional “tanque à roda” quanto o ciclo mais amplo “poço à roda”, que incorpora a origem da energia utilizada. Uma marca pode, portanto, continuar vendendo veículos pouco eficientes, desde que consiga compensar isso com modelos que puxem a média para cima. É justamente aí que entram os chamados fatores de ponderação.

Essa talvez seja a parte mais interessante do desenho do MOVER. Diferente de programas anteriores, os incentivos já nascem com prazo de validade. À medida que as tecnologias ganham escala e se tornam comuns, a vantagem regulatória diminui. A mensagem implícita é clara: a eletrificação é prioridade agora, não no futuro. Quem entra cedo se beneficia; quem adia perde o bônus.

Do InsideEVs