MPB, Cultura Popular e Resistência

Em um período de repressão e censura, a MPB não só refletiu a realidade social, como também se tornou uma arma contra o regime opressor, preservando a identidade nacional.

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A MPB (Música Popular Brasileira) foi um importante canal de expressão e resistência cultural durante a ditadura militar (1964 – 1985). Em um período de repressão e censura, a MPB não só refletiu a realidade social, como também se tornou uma arma contra o regime opressor, preservando a identidade nacional.

Após o golpe militar, a MPB emergiu como forma de resistência cultural e política, misturando elementos da música nacional com influências internacionais. Músicos como Chico Buarque e Geraldo Vandré usaram metáforas para criticar o regime, enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil foram exilados, mas continuaram a desafiar a ditadura com suas músicas.

Milton Nascimento e o Clube da Esquina foram essenciais na resistência cultural durante a ditadura militar no Brasil. Combinando MPB, rock, jazz e influências folclóricas, o movimento criou um som único que desafiava a repressão do regime. Canções como ‘Coração de Estudante’ e ‘Para Lennon e McCartney’ abordavam temas de liberdade e justiça, transformando-se em símbolos de luta e esperança. A parceria de Milton com Lô Borges e outros artistas gerou um protesto sutil, preservando a identidade cultural brasileira sob censura, e suas obras continuam a inspirar a busca por liberdade e justiça social.

A cultura popular, com suas tradições, também foi fundamental na luta contra a homogeneização cultural imposta pelo regime. Músicas como “O Bêbado e a Equilibrista” de João Bosco e Aldir Blanc mantiveram viva a esperança e a resistência.

Mesmo com o fim da ditadura, a MPB seguiu importante na redemocratização e na promoção da justiça social. Suas canções, criadas sob repressão, continuam a ecoar, lembrando as gerações atuais da importância da liberdade de expressão e da resistência política. A MPB não foi apenas entretenimento, mas uma poderosa ferramenta de transformação social.

Publicação da Associação Heinrich Plagge, que reúne desde 2015 trabalhadores brasileiros na Volkswagen vitimados pela perseguição política na empresa entre 1964 e 1985

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