Muita bioenergia de sobra para queimar

Há cinco décadas o etanol reina sozinho como combustível alternativo e complementar no Brasil, utilizado em 100% de todos os veículos leves equipados com motores ciclo otto, seja puro ou em mistura obrigatória à gasolina – no mínimo de 30% desde 2025. Esta alternativa, sem igual proporção no mundo, foi iniciada em 1975 com o Proálcool, programa criado para amenizar os efeitos da crise mundial do petróleo que encareceu seus derivados a ponto de quebrar países – como foi o caso brasileiro.

Ao longo destes últimos cinquenta anos a produção de etanol em larga escala transformou o País no mais bem-sucedido exemplo global de uso do biocombustível para fornecer energia à sua frota de automóveis e comerciais leves, com o benefício hoje valorizado de quase anular emissões causadoras do aquecimento global.

Embora não tenha sido esta a razão existencial do Proálcool, cujo objetivo era substituir parte do caro petróleo importado por matéria-prima abundante no País – a cana-de-açúcar, até então utilizada havia séculos só para fazer o produto de seu sobrenome e alguma cachaça para beber –, hoje são as mudanças climáticas e a necessidade premente de reduzir emissões de CO2 fóssil que sustentam o protagonismo do etanol.

O etanol é o principal biocombustível em uso para veículos leves, e como solução imediata e eficaz de baixíssima pegada de carbono, pois para cada megajoule de energia gerada emite apenas 22,73g de CO2 biogênico, que são 90% reabsorvidos pelas próprias plantações das matérias-primas utilizadas em sua produção. De quebra a maior octanagem do etanol ainda melhora o desempenho dos motores otto.

Da AutoData / Pedro Kutney