“Mulheres têm capacidades múltiplas para resolver problemas”
A atriz Rosi Campos, que participará da abertura do 2º Congresso de Mulheres Metalúrgicas, concedeu entrevista à Tribuna Metalúrgica
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Rosi tem 35 anos de carreira dedicados ao teatro, cinema e televisão
A atriz Rosi Campos terá uma participação especial no 2º Congresso de Mulheres Metalúrgicas. Ela estará na conferência de abertura “As mulheres e os espaços de poder”, na sexta-feira, 26 de março, às 9h. Com 35 anos de carreira, a atriz tem um extenso currículo dedicado ao teatro, cinema e televisão. Rosi falou com a Tribuna Metalúrgica sobre esse trabalho.
As atrizes ocupam um espaço de poder nas novelas na medida que falam para milhões de pessoas. Que influência isso tem no imaginário feminino?
É bastante significativa, mas está diretamente associada ao tipo de papel interpretado. No geral a contribuição é muito positiva, uma vez que vivenciamos diversas facetas humanas e contribuímos para a divulgação daquilo a que chamamos de diversidade humana. Assim, há personagens bons e maus, como há pessoas com esta e/ou aquela característica acentuada.
Boa parte dos personagens femininos de uma novela é esterotipada. Elas contribuem para reforçar preconceitos?
O estereótipo pode trabalhar positiva ou negativamente, conforme o foco dado pelo autor ao personagem. Se um personagem (feminino ou masculino) enfatiza determinadas ações que reforçam o preconceito, isto é evidenciado quando avaliamos a empatia do telespectador por ele. As ações são sempre humanas, mas é o público que as julga improcedentes ou não, apoiando ou repudiando determinadas atitudes. Ademais, o resultado das atitudes estereotipadas de algumas personagens vai depender, também, da forma como o ator-intérprete conduzirá as ações, emprestando-lhe seu jeito, sua bagagem e visão de mundo, apontado caminhos e direções.
Porque o mundo do trabalho sob a perspectiva dos trabalhadores não aparece nas artes em geral?
É mostrado, sim. Talvez não como deveria, mas há essa vertente está comprometida em todas as frentes de interpretação no cinema, teatro e televisão. Ocorre que tais produções precisam ser patrocinadas/custeadas por alguém que imprimirá uma ótica de acordo com seus interesses político-ideológicos. Salvo raras exceções, em geral a perspectiva do trabalhador não precisa ser necessariamente mostrada, uma vez que a arte não precisa estar vinculada a este ou aquele juízo de valor. É simplesmente relativa, é prerrogativa da arte.
Que contribuição as artes e a cultura podem dar à ao movimento de mulheres por igualdade?
Na medida em que as colocam como protagonistas da vertente artístico-cultural e mostram como elas têm capacidades múltiplas na resolução de conflitos e na condução da família. Sem esquecer do profissionalismo feminino, pautado pela ética, justiça e igualdade de direitos.