Na contramão da violência, o afeto

Seriam as mulheres as possíveis precursoras na luta por um mundo mais justo? As que anunciam um acontecimento de mudança para o futuro?

Foto: Divulgação

A pandemia da Covid-19 nos coloca frente a um drama que ultrapassa as fronteiras de um único país. O mundo na pandemia é mais desigual, pois aprofunda a estrutura em que está fincada a bandeira do capitalismo neoliberal (doutrina política que propõe liberdade absoluta do capitalismo e mínima intervenção do Estado, o que potencializa e dá mais poder aos exploradores, liberdade para que mais usufruam da mão de obra, sem direitos assegurados pelo Estado).

O mundo do capital precisa explorar em níveis acentuados mulheres, negros, colônias, pobres. para manter a balança desiquilibrada. Mas, além de trabalhar, temos entre nós, os que são destinados a cuidar da reprodução dessa classe.  É preciso que sobrevivam. comam, vistam-se, e estejam prontos para mais um dia de trabalho.

Num certo momento da história, os cuidados que eram coletivos migram para o âmbito privado. Elas, então, passaram a cuidar da reprodução social trabalhando nas fábricas, escolas, hospitais e nas casas, cuidando das suas e de outras famílias. A pandemia deu luz a esse esforço invisível que não advém da natureza humana, e sim da necessidade do sistema.

 A elas cabem as piores funções, menores salários, a violência física e simbólica, mas também as mais genuínas formas de sobrevivência e resistência. Para além dos cuidados com os doentes, podem definir políticas e ações solidárias.

Ao certo está aí uma importante chave para fazermos deste momento tão cheio de perdas o espaço de reencontro da humanidade na terra. Só o afeto contra o individualismo, a perversidade e a injustiça.

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