Neoliberalismo e democracia

A grande crise econômica de 1929 arrastou consigo o fim da hegemonia liberal. Inicia-se um período na economia ocidental em que o Estado passa a ter um forte desempenho na regulação econômica e social entre 1945 a 1975.

Porém, os defensores do livre mercado começam a se rearticular para que o liberalismo voltasse a reger os princípios da economia capitalista. Vários encontros foram promovidos com o objetivo de reorganizar e renovar o liberalismo. Apesar das divergências, os participantes avaliaram “que a simples limitação da ação do Estado sobre a sociedade não seria suficiente para possibilitar a emergência de uma ordem econômica liberal. Portanto, “longe de ser espontânea, uma economia liberal deve ser vista como o produto de uma moldura institucional também liberal na sua forma cultural, política e jurídica”. Nasce o neoliberalismo.

O Estado está longe de ser mínimo para o “mercado” (leia-se capitalistas). Ele deve ser mínimo na contenção das demandas sociais estimuladas pelos pleitos democráticos. A democracia para os neoliberais não deve afetar o mecanismo de ampliação do lucro. Essa moldura institucional deve fazer com que o Estado funcione na lógica de empresa privada, tida como símbolo de eficiência.

A política é demonizada e os direitos sociais são considerados inviáveis pelo seu “alto” custo. A democracia é reduzida à mera alternância de poder. A soberania popular é considerada um anacronismo para o mercado. Vejam a polêmica atual sobre a autonomia do Banco Central. O povo brasileiro tem pela frente o difícil desafio de superar a visão neoliberal de democracia que visa apenas à acumulação da riqueza nacional em benefício de poucos.

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