No mês das mulheres, Comissão das Metalúrgicas do ABC promove rodas de conversa nas fábricas e cobra dignidade e respeito em atos pela região

Discussões abordaram temas como direitos e conquistas, igualdade salarial, combate ao assédio e à violência contra a mulher

Foto: Adonis Guerra

Março de 2025 foi intenso para a Comissão das Mulheres Metalúrgicas do ABC. Com o objetivo de dialogar, trocar experiências e promover a conscientização entre as companheiras da base, a Comissão realizou uma série de rodas de conversa nas empresas da categoria. As trabalhadoras na Metaltork, Rassini e Legas Metal participaram dos encontros.

As discussões abordaram temas essenciais, como direitos e conquistas das mulheres, voto feminino, ocupação de cargos de poder, igualdade salarial, combate ao assédio e à violência contra a mulher, entre outros.

A diretora executiva do Sindicato e coordenadora das comissões, Andréa de Sousa, a Nega, destacou a importância dessas atividades. “Além de discutir todos esses temas que precisam estar presentes em nossas pautas diárias, estamos promovendo esses encontros para mostrar que o Sindicato tem mulheres e que ele é, sim, um espaço para todas nós”.

Andrea reforçou que as rodas de conversa continuarão e que as atividades em celebração ao Mês da Mulher se estenderão por abril.

Foto: Adonis Guerra

 Atos pela região

Além das rodas de conversa nas empresas da base, as integrantes da Comissão também participaram de atos na região do ABC. O primeiro ocorreu no dia 15, em São Bernardo, com uma manifestação na Praça da Matriz. Na ocasião, as mulheres exigiram ser ouvidas.

Os discursos e o material distribuído reafirmaram o compromisso com a democracia, a luta por melhores condições de vida e a preocupação com o avanço da extrema direita no Brasil e no mundo. Além de trazer um retrato da situação das mulheres no mercado de trabalho. As manifestantes denunciaram o sucateamento dos serviços de saúde e cobraram eleição do Conselho da Mulher da cidade por eleição direta.

Em São Caetano, no dia 22, as mulheres caminharam pelo centro da cidade pedindo dignidade e respeito. Elas ressaltaram a importância da presença feminina em cargos políticos e cobraram da administração municipal mais investimentos para a proteção das mulheres. Também enfatizaram ações contra a misoginia, o racismo, o fascismo, defenderam a não anistia para os golpistas e pediram a prisão de Bolsonaro.

No dia 20, as metalúrgicas também marcaram presença em uma sessão na Câmara dos Vereadores de Diadema, onde apoiaram a fala da representante do Conselho Municipal da Mulher, que cobrou mais atenção às políticas públicas voltadas à população feminina. No município, a Comissão também promoveu debate na Regional Diadema.

Foto: Adonis Guerra

“Tive o privilégio de visitar algumas fábricas durante o mês de março e participar de rodas de conversa com as trabalhadoras. Nessas trocas, ouvi desabafos sobre suas dificuldades, a desigualdade salarial, o assédio e a tripla jornada de trabalho. Percebi, mais uma vez, o quanto a nossa comissão de mulheres do Sindicato é essencial para essas trabalhadoras e como elas depositam sua confiança em nós. Também reunimos trabalhadoras e alunos da Escola do Sindicato, a ‘Dona Lindu’, onde tivemos um diálogo aberto e enriquecedor. Tenho certeza de que, após esses encontros, não somos mais as mesmas pessoas. Algo mudou dentro de nós. Agora, mais do que nunca, estamos fortalecidas para lutar e transformar tudo o que estiver ao nosso alcance”, Maria Zelia Vieira Viana, coordenadora da Comissão das Mulheres Metalúrgicas do ABC

Foto: Adonis Guerra

“Nosso objetivo nas rodas de conversa é trazer as mulheres para conhecer o Sindicato, entender a luta e se aproximar da comissão, para que tomem posse do que é delas por direito. Assim, começam a fazer parte dele, se aprimoram e se preparam, pois nosso lema é ‘lugar de mulher é onde ela quiser estar’. Quando buscamos conhecimento, não transformamos apenas nosso ambiente profissional, mas a vida como um todo. Essa é a missão: unir forças para lutar juntas, identificar nossas demandas e seguir firmes por igualdade salarial, respeito e dignidade para todas. O lema que estampamos em nossa camisa é ‘Respeite a nossa história’. Cada uma de nós tem uma trajetória única e valiosa, que precisa e merece ser respeitada”, Aparecida Maria de Melo Santos, a Cida, diretora executiva da FEM-CUT/SP e CSE na Legas, em Diadema

Foto: Adonis Guerra

“As atividades da Comissão de Mulheres no mês de março tiveram grande importância, pois inovaram ao sair do formato tradicional de mesas expositivas, em que as pessoas apenas ouvem. Optamos por promover rodas de conversa, proporcionando às trabalhadoras a oportunidade de participar ativamente e influenciar os rumos do debate. Foi um momento enriquecedor, no qual ouvimos histórias emocionantes e transformadoras, ressaltando a importância da organização da classe trabalhadora na conquista de direitos, na criação de leis de proteção à mulher e na implementação de políticas de inclusão feminina no mercado de trabalho. Da mesma forma, na Escola ‘Dona Lindu’, realizamos rodas de conversa com uma dinâmica envolvente: a busca por ‘tesouros’, que, ao final, revelavam-se os direitos das mulheres conquistados ao longo dos anos”, Priscila Rozas, CSE na Mercedes

Violência contra mulheres

Dados do Raseam (Relatório Anual Socioeconômico da Mulher) 2025, lançado pelo Ministério das Mulheres, nesta última terça-feira, 25, em Brasília, apontam que, em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos (com a intenção de matar) de mulheres e lesões corporais seguidas de morte. 

Os registros representam uma diminuição de 5,07% em todos os casos de violência letal contra as mulheres, em relação aos registros de 2023, quando foram contabilizados 1.438 casos de feminicídio e outros 2.707 casos de homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte de mulheres.

Ainda sobre formas de violência contra as mulheres, o relatório anual mostra que o Brasil registrou o equivalente a 196 estupros por dia, em 2024, o que totalizou 71.892 casos de estupro de mulheres em todo o ano passado. Apesar do alto número de registros, houve uma queda de 1,44% em relação ao ano de 2023.

Fonte: Agência Brasil