O “Cavalo de Troia” chinês: como as montadoras estão escoando os carros a combustão para o ocidente

Enquanto o mundo voltava os olhos para a rápida ascensão da BYD e dos veículos elétricos, a China executava uma estratégia silenciosa e ainda mais agressiva: a exportação massiva de carros a gasolina. Ao contrário do que se pensava, a grande “bomba” para as montadoras tradicionais da Europa e das Américas não é apenas a tecnologia de baterias, mas a oferta de modelos a combustão com preços que as marcas ocidentais já não conseguem praticar.

Desde 2020, nada menos que 76% dos veículos exportados pela China ainda utilizam gasolina. A projeção é que esse volume alcance a marca impressionante de 6 milhões de unidades em breve, preenchendo a lacuna de “carros populares” deixada pelas fabricantes europeias e americanas.

O movimento é uma questão de sobrevivência econômica. Com as fábricas chinesas tendo capacidade para produzir 30 milhões de veículos a gasolina por ano, e com o mercado interno chinês migrando rapidamente para os elétricos (onde já representam 50% das vendas), as montadoras locais ficaram com um excedente gigantesco. Para evitar o colapso de suas linhas de montagem, gigantes como SAIC (dona da MG), Baic e Dongfeng redirecionaram seus estoques para mercados que ainda dependem de combustíveis fósseis.

Estatísticas compiladas pela Reuters indicam que a China se tornou o maior exportador mundial de automóveis no último ano. Se o ritmo atual persistir, consultorias como a AlixPartners preveem que as marcas chinesas poderão controlar 30% de toda a indústria automotiva global até 2030. A ameaça é real: enquanto marcas tradicionais focam em elétricos de luxo, a China entrega o que o consumidor médio ainda precisa — um carro a combustão que cabe no bolso.

Do Garagem360