O racismo impede o avanço da democracia

Como analisou o sociólogo Florestan Fernandes, não houve adoção de políticas públicas para garantir a inserção do negro na sociedade, após a abolição. Com o objetivo de “branquear” a sociedade, nossa elite incentivou a vinda de trabalhadores europeus deixando os ex-escravizados no desalento, perpetuando sua condição análoga à escravidão mesmo depois de libertos.

Não bastasse esse fato, no século XIX e começo do século seguinte, houve ainda toda uma construção ideológica disfarçada de teoria científica que dizia que os negros eram inferiores aos brancos e tidos como criminosos em potencial. Não é exagero afirmar que a polícia, até hoje, reproduz esse imaginário que atribui ao negro uma propensão à criminalidade e os discrimina de forma violenta como vemos cotidianamente nos jornais televisivos e nas redes sociais.

Dados divulgados ontem pela Rede Observatório da Segurança revelaram que cinco jovens negros foram assassinados todos os dias no Brasil em 2021. O racismo estrutura a sociedade nessa hierarquização de negros inferiores e brancos superiores e atua subjetivamente sob diversas formas, de tal maneira, que as pessoas acabam reproduzindo atos ou falas racistas como se fosse algo “natural”. 

O saldo dessa longa estruturação cotidiana do racismo em nossa sociedade é o enorme abismo social existente na nossa sociedade entre a população preta e parda em comparação à população branca, que resulta também na pequena presença da população negra nos cargos públicos, nas estruturas de poder como no judiciário e no legislativo, assim como nos postos de comando nas instituições privadas.

Qualquer perspectiva de avanço democrático em nosso país precisará enfrentar o desafio de superar o racismo estrutural e institucional ainda tão presente no nosso cotidiano. Sem essa condição, será mais difícil para a nação brasileira vislumbrar o seu futuro como promotora de justiça social e soberania popular.

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