Por que alta de imposto a 35% não deverá frear avanço dos carros chineses

A recomposição total do Imposto de Importação para carros eletrificados, que levará a alíquota de volta a 35% a partir de julho de 2026 (e, no caso dos kits CKD, em janeiro de 2027), tem sido aguardada ansiosamente pela indústria automotiva instalada no país. Esse tem sido uma reivindicação da Anfavea, associação de montadoras que produzem carros no país, desde 2023.

Agora, com o imposto voltando ao teto histórico, a expectativa era de que o avanço chinês perdesse fôlego. Mas especialistas afirmam que a história tende a ser outra: pode haver impacto pontual no preço, mas dificilmente haverá recuo estratégico. A recomposição está acontecendo em etapas. Modelos totalmente importados (CBU) ou semidesmontados (SKD) – elétricos, híbridos e híbridos plug-in – pagarão 35% a partir de julho de 2026. Para kits completamente desmontados (CKD), finalizados localmente, a alíquota cheia só chega em janeiro de 2027.

Há, porém, um detalhe decisivo: veículos montados no Brasil com pelo menos 55% de conteúdo local passam a ter tributação reduzida sobre os kits importados, 16% para CKD e 18% para SKD. De acordo com cálculos da Bright Consulting, na prática, para modelos que permanecerem totalmente importados, a diferença de alíquota pode representar até 8% de aumento de preço no caso de elétricos, considerando os valores atuais. Esse será o maior impacto.

Já para veículos montados localmente com 55% de conteúdo nacional, o impacto estimado cai para cerca de 3% no caso de elétricos e 1% para híbridos e híbridos plug-in, porque o imposto incide apenas sobre a parte importada. Em outras palavras: o imposto cheio pressiona quem seguir importando pronto. Quem montar no Brasil, como BYD e GWM, consegue amortecer o efeito. Isso pode incentivar novas chinesas a montarem linhas de produção no país, mesmo que no regime SKD, com menos investimento local.

Do UOL / Paula Gama