Por que as marcas chinesas entregam o futuro enquanto as “tradicionais” reciclam o passado?

Durante décadas, o consumidor brasileiro se acostumou com uma dieta de “carros de entrada” simplificados — os famosos modelos capados — e reestilizações de projetos que já haviam saído de linha na Europa ou nos Estados Unidos. No entanto, o cenário de 2026 mostra que o jogo mudou. Marcas como BYD e GWM não apenas entraram no mercado; elas chutaram a porta trazendo o que têm de melhor em suas prateleiras globais.

Enquanto as montadoras tradicionais (as chamadas legacy) frequentemente oferecem carros com painéis de plástico rígido e cobram à parte por itens básicos de segurança, as chinesas inverteram a lógica. Modelos como o Haval H6 e o BYD Song Plus chegam ao Brasil com condução semiautônoma, câmeras 360°, telas de alta resolução e acabamento premium de série. A estratégia é clara: oferecer mais por menos.

Para as marcas tradicionais, esse nível de equipamento costuma estar restrito a versões de topo que custam o dobro do preço, ou sequer estão disponíveis em modelos fabricados localmente. O grande ponto de fricção é a modernidade dos projetos. As chinesas estão importando (e agora começando a fabricar localmente) plataformas globais de última geração, focadas em eletrificação.

A resposta passa pelo lucro e pelo conformismo. Por anos, as marcas tradicionais dominaram o mercado sem concorrência real, o que permitiu esticar o ciclo de vida de plataformas obsoletas para amortizar custos. O Brasil era visto como um mercado “de volume, mas de baixo valor tecnológico”. As chinesas, bloqueadas por tarifas pesadas nos EUA e na Europa, enxergaram no Brasil o destino perfeito para seus produtos de elite. Elas não tratam o brasileiro como um consumidor de segunda classe, mas como o pilar de sua expansão global.

Do Garagem360