Proposta brasileira é vencedora

A maioria dos 34 países americanos presentes a reunião da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) em Miami, nos Estados Unidos, aprovou um acordo restrito e limitado proposto pelo Brasil para a formação do bloco.

Os EUA, que desejavam um acordo mais amplo e generalizado, com todos os produtos e critérios comerciais definidos, terminaram derrotados. O documento final é mínimo e fala em negociações diretas entre países ou blocos regionais, conforme o critério apresentado pelo Brasil.

O resultado confirmou a pouca margem de manobra que os norte-americanos possuem para negociar uma Alca sem um mercado tão atrativo como o brasileiro. Diante desta situação, eles lançaram durante a reunião uma série de negociações paralelas com alguns governos que desejam avançar mais rápido na abertura comercial.

Fragilidade
Para a Campanha Continental contra a Alca é justamente aí que reside o perigo. Da forma como foi aprovado o projeto da Alca, se a reunião de Miami mostrou que os EUA não tiveram condições de impor em nível continental suas pretensões, em negociação direta com cada país eles podem esperar resultados mais seguros por conta de seu poder de pressão.

De acordo com a declaração final, o acordo existe em dois níveis. O primeiro inclui compromissos e obrigações comuns para todos os países. No segundo, cada país pode decidir em qual dos nove temas quer avançar mais rápido: acessos a mercados; propriedade intelectual; política de concorrência; solução de conflitos; subsídios e medidas contra venda de produtos abaixo do custo; agricultura; investimentos; serviços e compras governamentais.

Por isso o governo brasileiro tem pressa em definir o que vai oferecer nos nove temas a seus 33 parceiros já nas próximas negociações, marcadas para fevereiro, no México.

Leia a entrevista com o presidente do Sindicato, José Lopes Feijóo, que participou de encontro sindical paralelo à reunião ministerial.