Reciclagem de baterias de carros elétricos vira corrida bilionária global
Mercado pode movimentar US$ 70 bilhões até 2040 e vira prioridade estratégica da indústria automotiva
A indústria automotiva já começa a se preparar para o próximo grande desafio da eletrificação. Depois da corrida por autonomia, escala produtiva e redução de custos, a reciclagem de baterias de carros elétricos desponta como a nova fronteira estratégica do setor. Projeções da consultoria McKinsey indicam que o segmento pode movimentar cerca de US$ 70 bilhões por ano até 2040, impulsionado pelo crescimento da frota global e pela necessidade de reaproveitamento de matérias-primas críticas.
O mercado ainda é pequeno hoje, principalmente porque poucos veículos elétricos chegaram ao fim do ciclo de vida. Esse cenário, porém, deve mudar rapidamente na próxima década. A primeira geração de modelos vendidos em larga escala nos últimos anos começará a ser descartada após 2030, criando uma onda de baterias usadas que exigirá infraestrutura industrial para reaproveitamento de materiais como lítio, níquel e cobalto.
Mais do que uma questão ambiental, trata-se de um movimento com forte lógica econômica e geopolítica. O reaproveitamento desses minerais reduz a dependência da mineração, estabiliza custos e diminui a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos, hoje concentradas em poucos países. Para montadoras e fabricantes de baterias, dominar esse processo significa ganhar previsibilidade em um dos componentes mais caros do veículo elétrico.
Estudos indicam que, com uma indústria madura de reciclagem, a produção global de baterias poderá depender muito menos da extração de novos minerais nas próximas décadas, reduzindo impactos ambientais e pressões sobre recursos naturais. O cenário reforça uma mudança estrutural na forma como a indústria automotiva encara a eletrificação: não apenas como substituição do motor a combustão, mas como reorganização completa da cadeia de valor.
Do Motor1