Reforma sindical: Começa a transição

Os sindicatos de metalúrgicos da CUT em São Paulo esperam chegar no ano que vem prontos para uma nova organização sindical. O 4º Congresso Estadual da Federação dos Metalúrgicos da CUT (FEM), encerrado domingo, decidiu intensificar o processo de formação política sindical e dar às entidades condições de se prepararem para a reestruturação que a reforma sindical vai exigir.

“Nossos sindicatos precisam ter o mínimo de condições para a auto-sustentação, sem taxas assistencial ou confederativa, e se organizarem a partir do local de trabalho,” afirmou Adi dos Santos Lima, reeleito presidente da FEM. Uma comissão da Federação irá acompanhar esse debate nos sindicatos.

>> Sindicato nas fábricas

Além disso, Adi ressaltou que é preciso criar Comitês Sindicais, como já ocorre no ABC. “Temos de resistir, lutar, mas também interferir nos processos de produção, reestruturação, discussão de novos produtos. Para isso, o sindicato tem que atuar dentro das fábricas. Não podemos nos conformar em ficar na porta olhando o que os patrões fazem lá dentro”, justificou ele.

Além de Adi, que é do Comitê Sindical na Mercedes-Benz, os metalúrgicos Paulo Cayres, Ford, e Antonio Sérgio Virgino, Volks, fazem parte da nova diretoria da FEM.

O Secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Osvaldo Bargas, que participou sábado do Congresso, disse que a atual estrutura sindical é responsável pela pulverização e falta de representatividade.

“Hoje para fundar um sindicato tem gente que publica um edital de uma suposta assembléia, junta uma cópia do anúncio no jornal, ata da tal reunião, um estatuto, mandato de 4 a 10 anos. Manda para o Ministério do Trabalho e o ministério tem que autorizar. Tem sindicato cobrando 40% do salário do trabalhador por ano e não é representativo, mas cobra de todo mundo,” disse o secretário.

Para Bargas, o governo Lula gerou a oportunidade que os sindicalistas da CUT esperavam para mudar o atual modelo sindical. “Da forma que está não interessa para o governo, nem para os trabalhadores, nem para os empregadores. Temos de mudar e não podemos perder a oportunidade de consertar a casa agora,” conclui ele.