Reforma Sindical: Patrão quer melar consenso

Os patrões não aceitaram as propostas fechadas por consenso entre governo e trabalhadores no Fórum Nacional do Trabalho (FNT) para a reforma sindical. De forma bastante conservadora, eles recusaram principalmente as sugestões sobre o financiamento e a organização das entidades e a representação nos locais de trabalho.

O empresariado quer manter a cobrança do imposto sindical e criar uma multa, com valor ainda a ser definido, para quem não pagar a taxa. Além disso, desejam acabar com a cobrança dos 20% sobre o valor do imposto destinado ao Ministério do Trabalho.

A representação no local de trabalho, só é admitida em empresas com mais de 201 funcionários e desde que esse pessoal não esteja filiado a qualquer sindicato. Isto é, querem tirar os sindicatos e manter uma relação direta com os trabalhadores para aumentar seu já imenso poder de pressão. “Eu concordo que a representação apenas nas empresas com mais de 200 funcionários tira desse processo grande parte dos trabalhadores”, disse, com a maior cara de pau, o vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Rodolfo Tavares.

>> Medo

Já governo e trabalhadores concordam com a extinção grada-tiva do imposto sindical, que duraria até três anos. O financiamento das entidades passaria a vir da taxa de filiação e de negociação e a representação no local de trabalho começaria nas empresas com mais de 20 companheiros.

>> Outra chance

“Para a CUT não tem conversa. Queremos acabar com a farra de cobrança de taxas e deixar apenas a contribuição negocial aprovada em assembléia e colocada no contrato coletivo”, garante o secretário de Organização, Artur Henrique da Silva Santos (foto).

Segundo ele, a comissão de sistematização do FNT se reúne amanhã e quinta-feira em Brasília para tentar chegar a um consenso nesta questão.