Responsabilidade social, desenvolvimento e democracia 

Mal pôde comemorar a sua vitória nas urnas, Luiz Inácio Lula da Silva, consagrado nas urnas em 30 de outubro, já começou a sofrer pressão do “mercado” para que não saia dos trilhos da responsabilidade fiscal.

Uma fala do futuro presidente a parlamentares, no dia 10 de novembro, no Gabinete de Transição, enfatizando a necessidade de acabar com a fome e combater a pobreza como prioridade do seu governo e que o ajuste fiscal não pode ser a única prioridade, enquanto pessoas passam fome, gerou alvoroço especulativo com aumento do dólar acima dos R$ 5,30 e a bolsa operando em queda. Da mesma forma, a discussão da PEC para tirar o financiamento do Bolsa Família do teto dos gastos tem sido motivo de contestação.

O quer está em jogo ou em disputa é o modelo de desenvolvimento que se pretende implantar no próximo governo. O cerne da questão está na distribuição e apropriação da riqueza produzida pelo conjunto da sociedade: para um pequeno grupo de investidores do mercado financeiro ou para maioria da população? Para manter privilégios ou para combater a desigualdade social?

Para o futuro presidente, a prioridade do governo estará centrada no auxílio à população empobrecida com ênfase no combate à fome. Além disso, no aumento do valor do salário mínimo e dos investimentos públicos gerando emprego, renda, consumo e crescimento econômico. Desta forma, o crescimento econômico fará aumentar o PIB e diminuir o tamanho da dívida em relação a ele.

Isto é, não há contradição entre responsabilidade social e responsabilidade fiscal. Esse debate deve nos levar a refletir sobre o sentido da democracia, que deve estar voltada para atender as necessidades de melhoria da qualidade de vida da população e a promoção da cidadania em todas as suas dimensões.  

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