Sindicato condena assédio no Big Brother e alerta para violência contra mulher
Episódio em programa nacional de televisão expõe urgência de combater abusos que mulheres enfrentam diariamente na sociedade e nas fábricas
O Sindicato manifesta repúdio público ao episódio de assédio ocorrido no último domingo, 18, no reality show Big Brother Brasil 26, da Rede Globo. A tentativa de beijo forçado praticada pelo ex-participante Pedro Henrique Espíndola contra a colega Jordana Morais, devidamente filmada e confessada, reforça um comportamento inaceitável que o país ainda assiste sob a máscara do entretenimento.

Para o movimento sindical, a exposição desses casos em rede nacional escancara uma ferida social profunda. Priscila Rozas, CSE (Comitê Sindical de Empresa) na Mercedes e integrante da Comissão das Mulheres Metalúrgicas do ABC, ressalta que o ocorrido não é um fato isolado, mas reflexo da realidade enfrentada por trabalhadoras em diversos ambientes.
“Os episódios cometidos por Pedro e assistidos por milhões de pessoas revelam a violência cotidiana que atravessa casas, ruas e, principalmente, as fábricas. A mulher trabalhadora encara diariamente olhares invasivos, comentários constrangedores, insinuações e abusos de poder que tentam naturalizar o inaceitável”, afirmou a dirigente. Segundo Priscila, quando o assédio é minimizado como ‘brincadeira’ ou ‘exagero’, a sociedade protege o agressor e silencia a vítima.
Para a dirigente, o respeito é inegociável. “É fundamental fortalecer o acolhimento e os canais de denúncia para que nenhuma companheira se sinta desamparada. A luta sindical vai além do chão de fábrica, ela combate a cultura da opressão onde quer que ela se manifeste”.
Ação
Diante da ampla repercussão do episódio exibido no BBB 26, o governo federal lançou esta semana uma campanha nacional de enfrentamento ao assédio. A iniciativa utiliza o caso como ponto de partida para evidenciar a sensação permanente de insegurança vivida por mulheres e reforçar que nenhuma forma de violência pode ser relativizada ou tratada como entretenimento.

As peças divulgadas nas redes sociais retomam cenas e situações do programa para ampliar o debate público sobre violência sexual, alertando que nem mesmo espaços monitorados de forma contínua garantem proteção às mulheres. A mensagem central é clara: a exposição não impede o abuso, nem substitui a responsabilidade coletiva de enfrentá-lo.
Um dos materiais traz o questionamento: “Você não está segura em lugar nenhum? Nem sob o olhar de milhões de pessoas? Chega de assédio!”. O conteúdo busca provocar reflexão sobre como a violência atravessa diferentes ambientes, dentro e fora das telas, muitas vezes naturalizada no cotidiano.
A campanha também se dirige diretamente aos homens, os convocando a assumir responsabilidade diante de situações de violência. “Homens, chegou a hora de agir. Compartilhe. Mostre aos amigos que não concorda com essas atitudes. Não deixe nenhuma mulher em perigo. E, se souber de algo, denuncie. Ligue 180”, afirma a publicação.
Denuncie. Se você sofrer ou presenciar qualquer forma de violência, não se cale. O Ligue 180 oferece orientação gratuita e segura, 24 horas por dia. A meta é clara: construir ambientes de trabalho e de convivência dignos, livres de assédio e abusos — dentro e fora das telas.