Sindicato debate defesa de direitos com presidente e ministros do TST

Em Brasília, Diretoria Executiva e corpo jurídico da entidade dialogaram sobre o fim da escala 6x1, redução de jornada e combate à pejotização

Representantes do Sindicato com presidente Luiz Philippe Vieira de Mello Filho (ao centro)

Em um movimento decisivo para a proteção das garantias laborais, a diretoria do Sindicato cumpriu, na última sexta-feira (20), uma série de agendas institucionais em Brasília. A comitiva, composta pelo diretor administrativo Wellington Messias Damasceno, o diretor executivo Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, e o corpo jurídico da entidade, reuniu-se com a cúpula do TST (Tribunal Superior do Trabalho) para dialogar sobre temas urgentes: o fim da escala 6×1, a redução da jornada e o combate à pejotização.
O diálogo direto com o presidente Luiz Philippe Vieira de Mello Filho e os ministros Maurício Godinho Delgado e Augusto César Leite de Carvalho marcou a retomada das atividades sindicais junto ao Judiciário em 2026. Segundo Wellington, o momento exige vigilância frente ao julgamento da pejotização no STF (Supremo Tribunal Federal). “Essa modalidade coloca em risco o sistema de proteção social e conquistas como o 13º salário e férias. Se a pejotização avançar, debates como a redução de jornada perdem o sentido”, alertou o dirigente.

Ministro Maurício Godinho Delgado (ao centro)

Produtividade e justiça social
A pauta da redução da jornada de trabalho, sem diminuição salarial, foi um dos pilares das reuniões. Luizão destacou que o atual modelo constitucional, fixado em 1988, está defasado diante do salto tecnológico das últimas décadas. “Os processos foram modernizados, gerando aumento incontestável de produtividade, mas o trabalhador ainda não recebeu sua parte nesse progresso”, afirmou o diretor. A defesa do fim da escala 6×1 foi apresentada aos magistrados como uma medida essencial para a saúde e o bem-estar da categoria.
O Sindicato confirmou sua participação no Congresso “Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea”, evento que ocorrerá entre 2 e 4 de março e reunirá especialistas globais para debater os rumos do trabalho no século XXI. A presença da entidade será marcada pela atuação em painéis estratégicos voltados ao Direito do Trabalho e à proteção social.
Segundo Luizão, a prioridade no congresso será denunciar o que classifica como a “tragédia da pejotização”. O Sindicato levará argumentos técnicos sobre como a substituição do vínculo empregatício pela contratação via Pessoa Jurídica desestrutura o sistema de proteção ao trabalhador.

Ministro Augusto César Leite de Carvalho (à direita)

Fortalecimento das instituições
Além das pautas econômicas, a agenda reforçou a necessidade de uma coalizão entre Sindicatos, Justiça do Trabalho e MPT (Ministério Público do Trabalho). Wellington ressaltou que essas instituições têm sido alvo de ataques sistemáticos desde a reforma trabalhista de 2017, visando o barateamento da força de trabalho.
“Defendemos a articulação entre os órgãos que sustentam o sistema protetivo para assegurar um ambiente digno ao trabalhador”, pontuou. A visita também serviu para apresentar ao TST as particularidades do modelo eleitoral do Sindicato e o funcionamento dos CSEs (Comitês Sindicais de Empresa), reafirmando o papel da representação coletiva na democracia.
As agendas foram avaliadas como altamente produtivas. Os ministros demonstraram convergência com as preocupações apresentadas, sinalizando abertura para um debate técnico e social aprofundado sobre o futuro do trabalho no Brasil junto ao Sindicato.